Mais de 40 pessoas foram indiciadas sob suspeita de integrar esquemas de favorecimento a mineradoras que atuavam de forma irregular

Mais de 40 pessoas foram indiciadas sob suspeita de integrar esquemas de favorecimento a mineradoras que atuavam de forma irregular

Reprodução/Agência Nacional de Mineração

27.jun.2026 (sábado) - 17h53 Siga o Poder360 no Google

A Polícia Federal concluiu na 6ª feira (26.jun.2026) as operações Rejeito e Parcours e indiciou mais de 40 pessoas sob suspeita de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais. Entre os indiciados estão o presidente da ANM (Agência Nacional de Mineração), Mauro Henrique Moreira Sousa, o diretor da agência Caio Trivelatto e empresários.

As investigações apontam a existência de esquema de favorecimento a grupos empresariais dentro da agência reguladora. A operação Rejeito resultou em 34 indiciamentos. A Parcours apurou irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte, e terminou com 16 indiciados.

Entre os empresários indiciados está Lucas Kallas, ex-sócio de Daniel Vorcaro e dono da Cedro Mineração. A PF concluiu que Kallas participou da exploração comercial da Mina Granja Corumi de 2014 a 2018, sendo que a área possui autorização só para um plano de recuperação ambiental. A investigação atribui ao empresário crimes ambientais, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência.

A PF também afirma ter encontrado indícios de que Kallas custeou um título de sócio-torcedor do Cruzeiro no valor de R$ 12.000 para Wagner Salles, agente público do setor de mineração.

Diálogos entre Kallas, sócios e funcionários obtidos pela investigação indicam o planejamento da exploração da mina, estratégias para ocultar a extração irregular e tratativas com órgãos públicos.

Na operação Rejeito, o diretor da ANM Caio Trivelatto foi indiciado sob suspeita de atuar em favor de empresas ligadas ao empresário Alan Cavalcante, entre as quais a Aiga Mineração. A PF afirma que Trivelatto influenciou atos administrativos para beneficiar interesses econômicos do grupo e atuou de forma coordenada com a organização investigada. Cavalcante, apontado como líder do esquema, aparece nas duas operações.

O Poder360 entrou em contato por e-mail com as assessorias e gabinetes de Caio Trivelatto e Mauro Henrique Moreira Sousa, da ANM, e do empresário Luis Fernando Franceschini, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso receba posicionamento dos mencionados.

A ANM informou em nota que não foi comunicada do relatório final da investigação e que está à disposição das autoridades para esclarecimentos.

A reportagem não encontrou os contatos de Alan Cavalcante, Luis Fernando Franceschini e Wagner Salles. O espaço segue aberto para posicionamentos.

Eis a íntegra da nota enviada pela ANM:

A Agência acompanha os desdobramentos do caso e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar as informações que forem solicitadas no âmbito das investigações