A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de sigilo de todos os documentos do caso Master. A PGR argumentou que liberar apenas parte da documentação poderia "induzir à ideia equivocada de transparência". Segundo a PGR, a lista de documentos enviada pelo relator do caso, ministro André Mendonça, omitiu a maior parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Polícia Federal.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de sigilo de todos os documentos do caso Master. A PGR argumentou que liberar apenas parte da documentação poderia "induzir à ideia equivocada de transparência". Segundo a PGR, a lista de documentos enviada pelo relator do caso, ministro André Mendonça, omitiu a maior parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Polícia Federal. "O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contêm grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero", diz o documento. "Fato que, embora se suponha motivado por alguma razão escusável de ordem administrativa, pode induzir à ideia equivocada de que a transparência [...] perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último", prossegue. Moraes pede a Fachin retirada de sigilo de todos documentos do caso Master O pedido é assinado pelo vice-procurador-geral da República Hindenburgo Chateaubriand Filho. Ele e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, vão atuar juntos no caso. As manifestações da PGR no caso vinham sendo assinadas por Gonet, que acabou citado no relatório que apontou mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o ministro Alexandre de Moraes. Após a divulgação do material, o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu um procedimento para analisar as referências ao procurador-geral nas conversas apreendidas pela investigação. RELEMBRE: PGR diz que é nula investigação ordenada por André Mendonça que apontou relação de Moraes e Vorcaro Hindenburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho Chateaubriand Pereira Diniz Filho, representante da PGR fala agora no julgamento de acusados de mandar matar Marielle Reprodução Pedidos de Moraes e Zanin Mais cedo, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin encaminharam ofícios ao presidente do STF, Edson Fachin, defendendo medidas semelhantes às propostas pela PGR para ampliar o acesso aos documentos relacionados ao caso Master. Os pedidos foram apresentados às vésperas da sessão marcada para a próxima terça-feira (15), quando o Supremo deve analisar petições ligadas às investigações. Zanin solicitou acesso a uma mídia específica relacionada ao caso. Segundo o ministro, o material é necessário para a análise de requerimentos apresentados pela PGR que serão apreciados pelo tribunal na próxima semana. No ofício enviado a Fachin, o ministro afirmou ainda que a mídia estaria abrangida tanto pela decisão de compartilhamento dos autos quanto pelo levantamento de sigilo determinado pelo ministro André Mendonça. Já Moraes defendeu o levantamento integral do sigilo dos procedimentos relacionados ao caso Master. O ministro criticou o que classificou como uma retirada "seletiva" do sigilo e afirmou que parte das peças e documentos ainda não foi disponibilizada aos integrantes da Corte. Segundo Moraes, foram excluídos 180 documentos e arquivos digitais do conjunto de procedimentos liberados aos ministros. Para ele, a disponibilização parcial do material prejudica a análise completa dos fatos investigados. O ministro também pediu que duas petições relacionadas ao caso sejam julgadas em conjunto: uma que trata de mensagens trocadas entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outra que reúne relatórios sobre a atuação de Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero". Crise Master no STF O embate ocorre após André Mendonça retirar, nesta quinta (10), o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Fachin. Contudo, a liberação manteve em segredo outras frentes, como apurações ligadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao financiamento do filme "Dark Horse" — cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que colocou sob apuração da Polícia Federal conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A disputa expôs divergências públicas entre integrantes da Corte, a Procuradoria-Geral da República e a direção-geral da PF. Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal REUTERS/Adriano Machado



0 Comentário(s)
Deixe seu comentário