A prática do Pilates tem sido a escolha de treino de muitas pessoas - Canva Em entrevista, o fisioterapeuta esportivo Mark Rodrigues, instrutor de Pilates, explica como a prática pode contribuir para força, mobilidade, equilíbrio e qualidade de vida de pessoas com artrose A artrose, também conhecida como osteoartrite, é uma doença crônica que compromete a articulação como um todo. Embora a perda progressiva da cartilagem seja uma das características mais conhecidas, a condição também envolve alterações no osso, na membrana sinovial e nos tecidos que cercam a articulação. O resultado pode ser dor, rigidez, inchaço, redução da mobilidade e dificuldade para realizar atividades simples do cotidiano.
É justamente nesse contexto que o exercício físico assume papel importante. Para quem recebeu o diagnóstico de artrose, movimentar-se pode parecer contraditório diante da dor, mas a inatividade tende a favorecer a perda de força muscular e de capacidade funcional. O exercício terapêutico individualizado está entre as principais estratégias não medicamentosas utilizadas no manejo da doença, e o Pilates pode ser uma das ferramentas disponíveis. Pilates como estratégia de movimento “Cada pessoa tem características e limitações diferentes, especialmente quando estamos falando de artrose. Por isso, a prática pode e deve ser adaptada às necessidades de cada indivíduo, respeitando suas condições e seus limites”, explica o fisioterapeuta esportivo Mark Rodrigues, terapeuta manual e instrutor de Pilates - Foto: Divulgação O fisioterapeuta esportivo Mark Rodrigues, terapeuta manual e instrutor de Pilates da Adez Saúde Desportiva , explica que a prática pode ser adaptada às características de cada pessoa e às limitações provocadas pela artrose. “O Pilates trabalha uma combinação importante de fortalecimento, mobilidade, controle motor, coordenação, equilíbrio e consciência corporal. Para a pessoa com artrose, isso permite desenvolver a musculatura e melhorar a qualidade do movimento de maneira progressiva, respeitando a capacidade individual e sem necessariamente recorrer a exercícios de alto impacto”. A lógica é importante porque não existe uma sequência universal de exercícios que seja ideal para todas as pessoas com artrose. A escolha precisa considerar qual articulação está comprometida, a intensidade dos sintomas, o nível de força, a mobilidade, o equilíbrio, o histórico de lesões e os objetivos de cada praticante. Joelho - Nas pessoas com artrose de joelho, por exemplo, o trabalho pode envolver quadríceps, glúteos e musculatura do quadril, além de exercícios para estabilidade do tronco, equilíbrio e mobilidade. Movimentos funcionais, como sentar e levantar, também podem ser incorporados ao treinamento, justamente por reproduzirem situações presentes na rotina. “O princípio fundamental é adaptar o exercício à pessoa, e não fazer a pessoa se adaptar ao exercício. O que funciona para um indivíduo pode precisar de ajustes importantes para outro. Por isso, carga, amplitude, intensidade e progressão devem ser avaliadas individualmente, principalmente quando existe dor ou limitação funcional”, diz Mark Rodrigues. Fortalecimento ajuda a quebrar ciclo da dor A artrose pode estabelecer um ciclo que prejudica progressivamente a capacidade funcional. A dor leva a pessoa a se movimentar menos, a redução do movimento favorece perda de força e essa perda pode tornar determinadas tarefas ainda mais difíceis. Com isso, aumenta a insegurança para se movimentar e a tendência de permanecer inativo. O fortalecimento muscular contribui para melhorar a estabilidade e o controle dos movimentos, além de aumentar a capacidade de realizar atividades funcionais. O objetivo não é eliminar imediatamente todos os sintomas, mas criar condições para que o corpo recupere gradualmente a capacidade e confiança. “É importante compreender que o exercício não precisa esperar a ausência completa da dor. No início, algumas pessoas podem apresentar um aumento transitório do desconforto. Isso não significa necessariamente que o exercício esteja causando uma lesão. O que precisamos observar é a resposta do organismo, ajustar a intensidade e a carga e fazer uma progressão adequada”, relata. A resposta da articulação nas horas seguintes e no dia posterior ao treinamento também deve ser observada. Dor intensa ou persistente, piora importante dos sintomas ou excesso de carga indicam a necessidade de reavaliar o programa. O que os estudos mostram sobre Pilates A evidência científica recente é especialmente relevante quando se observa a artrose do joelho. Uma revisão sistemática e meta análise publicada em 2025 encontrou redução da dor com Pilates em comparação com nenhuma intervenção e aumento da amplitude de movimento quando comparado a exercícios convencionais. Também foram observados possíveis benefícios relacionados ao equilíbrio, à propriocepção e à qualidade de vida. É importante, entretanto, interpretar esses resultados com cautela. A certeza das evidências varia e, em alguns desfechos, é considerada baixa ou muito baixa. Outra revisão publicada em 2025 identificou possíveis benefícios do Pilates sobre dor, incapacidade e qualidade de vida em diferentes condições musculoesqueléticas, mas também ressaltou que as evidências ainda são limitadas. Isso significa que o Pilates pode ser uma excelente ferramenta, mas não deve ser apresentado como superior a todas as outras modalidades de exercício. O mais importante é encontrar uma estratégia que seja segura, adequada, progressiva e sustentável para cada indivíduo.




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