Os PISA 2025 trouxeram resultados preocupantes para a comunidade escolar. Isto é consequência das mudanças nas políticas de Educação desde 2016 e dos governos da geringonça. Mas ainda haverá solução?

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Muito bom dia. Os piores resultados de sempre a Português e Matemática, uma queda geral nas aprendizagens e competências que não pode ser disfarçada com as quedas também verificadas noutros países. Os resultados dos testes PISA 2025 são preocupantes e revelam em toda a sua dimensão as consequências das mudanças promovidas nas políticas de educação a partir de 2016 e dos governos da Geringonça. Mesmo assim, há quem queira encontrar bodes expiatórios ou desculpas de ocasião, numa altura em que temos mesmo de questionar o que deve mudar em todo o setor. No Contracorrente de hoje vamos tentar perceber o que se passa. José Manuel, bom dia.

Surpreendido com os resultados conhecidos anteontem?

Não estava surpreendido porque de alguma forma antecipava que o que se passou nos últimos anos poderia levar a uma queda nos resultados. Nós tivemos um pico em 2015, em 2018, se considerarmos as ciências, que foi o ano em que esteve mais alto, mas a partir daí havia sinais muito claros de um recuo. Agora, aquilo que me parece muito importante debater é o que está a acontecer e fazer essa discussão com seriedade. O que, devo dizer, não me parece ser o caminho escolhido pelo anterior ministro João Costa no artigo que escreveu ontem no Expresso. Houve muita gente excitada por ele ter assumido as responsabilidades, mas quem ler com atenção o artigo de ontem percebe que ele assume as responsabilidades, mas depois diz que no fundo todas as políticas estiveram certas. Não sei bem do que ele está a responsabilizar. Primeiro tentando clarificar o que se passou. O que se passou foi que este teste PISA é feito em muitos países, uma grande amostra com dezenas de países. É um teste muito padronizado, feito há muitos anos, com muito cuidado para poder ser comparável e que em Portugal abrangeu praticamente 7 mil alunos de mais de 200 escolas. É uma amostra significativa e importante. Isto é feito com o cuidado suficiente para que nós possamos dizer se os alunos estão a evoluir positivamente ou estão a evoluir negativamente. Globalmente, os resultados foram maus e foram maus para quase todos os países. Quando nós tentamos encontrar explicações que servem pra todos, porque todos tiveram as mesmas condições, estamos a iludir o problema. Por exemplo, dizer: "Isto é tudo culpa da pandemia." Bem, a pandemia atingiu o mundo inteiro. "Não, isto é tudo culpa dos ecrãs." Bem, os ecrãs estão em todo lado. Ou: "Isto é tudo consequência da inteligência artificial e da inteligência social." Bem, há quem esteja a lidar com isso de forma diferente. E não iludindo que uma parte destes resultados têm a ver com estes três fatores que eu referi, e têm, e já vamos ver isso um pouquinho melhor, a verdade é que há países que souberam encarar estes problemas de forma diferente e alguns tiveram claramente mais sucesso do que outros. Este tema é muito importante, porque nós estamos a falar de um resultado que globalmente para Portugal, significa um recuo praticamente de 20 anos. Estamos com os resultados equivalentes a 2006. É quase a perda de uma geração. E é sobretudo pensarmos que estes miúdos que foram agora testados, coorte de 2025, miúdos que têm hoje 16 anos, tinham 15 anos no ano passado. Isso é sempre feito com miúdos de 15 anos. Não é feito com miúdos do nono ano. É com miúdos de 15 anos, pode ser que estejam no oitavo ainda, pode ser que estejam no outro. É feito por idade. Aquilo que se verifica é que eles terão neste momento o conhecimento, dizendo de uma forma simplista, de 13, em vez de terem os de 15. Ou aqueles que deviam estar com 16, estão com 14, os que deviam estar com 17, estão com 15. É isso que mais ou menos quer dizer. E há aqui muitos indicadores que são muito preocupantes. Uns deles têm a ver com a capacidade de ler. É das coisas que é mais inquietante, porque é um dos recuos maiores e, por exemplo, a capacidade de continuar a ler, para além daquilo que, para quem está habituado a pegar em livros, representa uma página, é baixíssima. As pessoas não são capazes de ler mais que uma página. E quando não se consegue ler, não se consegue entender, que isso vem associado, e significa que depois não podemos esperar milagres de Ciências ou Matemática, porque se eu não conseguir ler os enunciados, se não consigo compreender o problema que me é colocado nos enunciados, se não consigo compreender o que lá está escrito, o problema começa a ficar ainda mais complicado. Ora, aquilo que nós reparamos também por estes resultados, é que estes resultados acontecem numa altura em que, ao contrário do que talvez algumas pessoas julgassem, a necessidade de estar preparada é maior. Nós estamos a entrar numa altura em que os desafios colocados pela inteligência artificial são muito grandes. É uma extraordinária oportunidade, mas uma oportunidade que coloca enormes desafios. A ideia de que com a inteligência artificial, nós vamos ter de deixar de fazer algumas coisas e, portanto, não nos temos que preocupar com elas, é um enorme erro. Enorme, gigantesco Gigantesco erro, porque é exatamente o contrário. Aquilo que a inteligência artificial já está a fazer e vai fazer, não digo que sejam tarefas simples, porque ela consegue fazer tarefas muito complicadas. Nesta semana soubemos, pelo menos a OpenAI anunciou, que tinha resolvido um problema de matemática que existia há umas décadas e que a inteligência humana não estava a conseguir resolver. E não é a primeira vez que isso acontece. Há aqui uma enorme capacidade, mas essa enorme capacidade depende de nós sabermos colocar os problemas certos. Em linguagem de inteligência artificial, fazermos os bons prompts. Se não soubermos fazer isso, não vamos a lado nenhum.

No fundo, saber pedir bem.

Saber pedir bem, saber o que estamos à procura, porque não é apenas dizer "faz-me isto". Não é apenas fazer aquilo que aparentemente os miúdos já fazem todos, que é: "resume-me este texto". Simplifica-me a vida.

Ou o resumo deste livro. Mas isso não é novo. Nós já tínhamos umas editoras especializadas em resumir os maias e resumir outras coisas assim, para evitar que os miúdos tivessem que ler tudo. Já não é uma novidade absoluta. A inteligência artificial só democratiza isso mais ainda, se quisermos. Eu costumo usar um paralelo, uma coisa para que as pessoas compreendam que o facto de, por exemplo, termos máquinas calculadoras, não evita que saibamos fazer contas. O facto de termos tradutores automáticos não deve levar-nos a achar que não precisamos de saber línguas, além da nossa própria língua materna. Porquê? Pela mesma razão que um atleta precisa treinar. Pela mesma razão que alguém que quer aprender música tem que fazer uma coisa muito chata, que é solfejo. Se não passar por aí, não chega aos pontos seguintes. E por isso é que é muito importante nós debatermos este tema, de saber se temos que ter um currículo ou se temos apenas que ter competências. Eu estou a usar termos um bocadinho... Provavelmente precisamos das duas coisas. O problema é saber onde é que pomos o foco e qual é o nosso discurso. Repara, o que é, no fundo, um currículo? Um currículo é um conjunto de conhecimentos que têm que ser apreendidos de forma, digamos assim, sumativa. Eu vou sabendo umas coisas, essas coisas permitem-me saber outras, e depois a seguir saber outras, e a seguir saber outras. Se eu vou dando saltos aqui, acabo por poder até no limite decorar umas coisas do oitavo ou do nono ano, mas não as entendo, porque não tenho a base pré-existente. E se não tiver a base pré-existente, não consigo sequer depois utilizar bem o Google, ou utilizar bem um motor de inteligência artificial. Por quê? Porque para eu poder raciocinar, não chega aquilo que as três ou quatro coisas que me diz uma IA numa pergunta. Eu preciso ter tudo para trás para saber se aquilo que me está a dizer está certo ou está errado, saber enquadrar, saber essas coisas todas. Quando eu tenho um discurso e tenho uma prática em que diz: "eu não preciso de decorar, eu não preciso de fazer exercícios, eu não preciso de saber resolver, porque isso tudo me é resolvido por máquinas", eu estou a achar que não preciso saber andar, porque no limite tenho um automóvel. Não preciso de saber nadar, porque no limite tenho um barco. É quase isto. O nosso cérebro não é muito diferente de um músculo em termos de aprendizagem e de capacidade de responder aos desafios. Isso tem que ser feito na escola ao longo dos anos. Ora, aquilo que alguns sistemas fizeram foi manter currículos exigentes, mesmo depois tendo a preocupação de enquadrá-los num mundo em que as pessoas tinham que ser competentes, digamos assim. E houve outros sistemas que acharam que podiam ir apenas para umas competências vagas, ou mais ou menos vagas, e achar que o que era necessário era empatia, era cidadania, no sentido lato do termo, e que isso é que as pessoas tinham que aprender. E criatividade. Gostava de saber o que é a criatividade. Se o Picasso não souber desenhar, não é capaz depois de ser realmente criativo. Há técnicas que se têm que conhecer e tudo que são técnicas, às vezes, é um bocadinho chato. Os jogadores de futebol não andam só a brincar na areia com a bola, também têm que fazer musculação. E a musculação, enfim, hoje em dia está na moda ir para os ginásios, mas toda a gente que faz musculação sabe que é um trabalho repetitivo e um bocadinho maçador. A gente pode fazer isso de uma forma mais fácil, pondo uns auriculares nos ouvidos e ouvindo uma música, ou ouvindo um podcast. É melhor ouvir um podcast. Mas é um trabalho repetitivo, não é apenas alegrar a fazer aquilo que é mais divertido, que é jogar a bola. Isto é assim em tudo. Ora bem, quando nós olhamos para estes resultados, temos que perceber o que é que os países de facto fizeram de diferente. Em Portugal, o que nos permitiu chegar a 2015 com sucesso foram um conjunto de medidas que conjugaram currículos que podemos considerar mais ou menos exigentes. Houve alturas em que se tornaram mesmo mais exigentes, sobretudo a partir de 2010, numa coorte que já é apanhada pelos exames de 2015, ao contrário, por exemplo, do que sugeriu ontem o anterior Ministro da Educação, e também pela preocupação, por exemplo, com a Matemática e com o Português, que tiveram muitos programas de estímulo. Isso, de alguma forma, foi desmantelado. E outra coisa que é muito importante, que é: eu, para ter o estímulo necessário a estudar, preciso ser posto à prova. Se eu não for posto à prova, se for apenas uma coisa diletante, eu posso ser uma pessoa disciplinada e gostar muito de fazer isso, mas não tenho aquele estímulo para o exercício, que no fundo é, voltando às questões desportivas, treinar o suficiente para fazer os 100 metros em 12 segundos, falar não dizer os 10 segundos, mas em 12 segundos, o que exige muito treino, muito chato. E muitas outras coisas. A mesma coisa se passa com a necessidade de estudar, e todas as pessoas que passaram pela escola sabem que isto é assim. Uma das coisas que foi acontecendo ao longo da década de 90, com os primeiros exames de 12º ano, que foram uma decisão política de um governo na altura de Cavaco Silva, com Manuel Hefer Lete, Ministro da Educação, mas o governo que veio a seguir, Marcelo Grilo, António Guterres, concretizou-os, não deitou tudo pela borda fora dizendo que era preciso uma coisa diferente. Concretizou. E depois passámos do 12º ano para o nono ano, e depois o número de disciplinas, a importância, o peso, tudo isso foi evoluindo. Depois veio o sexto, depois veio o quarto. E de repente desapareceu tudo. O sexto e o quarto foram logo abolidos e isto teve algumas consequências, que foi não só retirar o estímulo aos miúdos, como, por assim dizer, cegar o Ministério da Educação. Porque a existência, por exemplo, de quatro momentos de avaliação padronizados permitia perceber algo que eu sei que, por exemplo, era um dos objetivos da equipa de Maria de Lurdes Rodrigues, que era poder seguir o miúdo que está no quarto ano, tem a nota A, no sexto ano tem a nota A mais, no nono ano tem a nota A menos e no 12º tem a nota B. O que se passou ao longo deste percurso? O que é que aconteceu na escola em que ele esteve ou nas escolas em que ele esteve?

E agir, se fosse necessário.

Quer dizer, repara, isto é muito mais rico em termos de informação do que eu ter apenas o retrato do chamado ranking, porque permite saber como é que uma escola ou um professor vai acrescentando valor àquele aluno. Ora, quando eu chego ali, acabo com o quarto e com o sexto, e digo que, de repente, vá fazer provas-moda, provas de avaliação, que contam ou não contam pra nota em alturas diferentes, que não serviriam rigorosamente pra nada, segundo ano, sexto ano, uma trapalhada completa. Ceguei o ministério e reconstruir isso vai levar muito tempo, muitos anos. E, ao mesmo tempo, dei um sinal que esta avaliação não conta muito. Até porque, ao mesmo tempo, havia o discurso: não pode haver retenções. Ora, eu ao dizer não pode haver retenções, significa que vou evoluindo sem ter as bases pra conseguir corresponder àquilo que me é exigido um pouco mais adiante. E não faço só isso. Se eu vou evoluindo dessa forma e estou nas mesmas turmas de alunos que estão bem, a média de exigência da turma vai baixar, porque aqueles que vieram coxos, por assim dizer, o professor vai ter que dar atenção a eles. Tudo isto vai fazendo com que o sistema, de alguma forma, se esborou. E nós temos um exemplo de um país, que são vários países, em que foram seguidas políticas diferentes ao longo dos últimos 15 anos. Estou a falar do Reino Unido. O Reino Unido, neste momento, é o país, julgo que não estou a enganar-me, é o país europeu melhor classificado, a par com a Estónia. E também vale a pena depois falar-

Sim, Reino Unido e Inglaterra. Mas eu vou precisamente fazer aqui a diferença, que é assim: o Reino Unido é a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales. E também a República da Irlanda do Norte, mas os dados que eu tenho são pra esses países. E apesar de ser só um país das Nações Unidas, Reino Unido, as políticas educativas são diferentes na Inglaterra, na Escócia e no País de Gales. A Inglaterra teve, em 2010, uma grande reforma promovida por um ministro chamado Michael Gove, ministro da Educação. Ele agora já não é sequer político, agora é o diretor da Spectator, é um nosso colega, é jornalista. E ele introduziu reformas no sentido de tornar os currículos mais exigentes e mais estruturados, criar mecanismos de avaliação comparáveis, eles chamam de league tables, mas que são coisas parecidas com os nossos rankings, assegurar que o ministério olhava com atenção para o que estava a passar nas escolas e intervinha quando necessário e, ao mesmo tempo, dar mais autonomia e responsabilidade, não é só dar autonomia, e responsabilidade às escolas, permitindo que num regime, que é um regime que eles chamam academy, academias, que não é exatamente as charter schools dos Estados Unidos, porque essas podem mesmo ser geridas privadamente, são escolas públicas, mas não têm o tipo de pendências que têm as outras. A Escócia e o País de Gales fizeram o contrário. Deram, de alguma forma, conta do currículo, criaram programas pra competência, não pro conhecimento. Competência e conhecimento não são exatamente as mesmas coisas. Criaram programas pra competência e agora o que aconteceu? O que aconteceu foi que a Escócia, que tinha melhores resultados que a Inglaterra, passou pra trás e veio por aí abaixo. Gales foi uma catástrofe ainda maior e a Inglaterra, de repente, está no topo da Europa, que era uma coisa que não estava já há Europa. Eles estavam em 25° lugar no ranking total e agora estão em sétimo, só fui eu retorcer isto de cabeça, não tinha aqui a nota, mas basicamente o número é este. Temos ali um exemplo concreto de como, num país com mais ou menos o mesmo ponto de partida, com culturas muito semelhantes, com tipo de sociedades muito equivalentes, políticas diferentes e contrastantes levaram a resultados diferentes. Dizer que isso não tem nada a ver é mentira. É pura e simplesmente mentira. E aqui é uma área onde a intervenção das políticas públicas pode ser muito importante. Eu já me estou a estender muito, só queria falar de um outro tema ainda. Há dados hoje num texto que nós publicamos, um texto longo, mas que vale a pena ler, do Pedro Santa Clara, também sobre estas coisas, em que ele fala de como é que se pode tratar de forma diferente o tema da inteligência artificial. Nós já sabemos, e o PISA confirma, não sei se o número exato para Portugal, aparentemente metade dos miúdos já usam a inteligência artificial. Já sabem lá ir. Provavelmente, na maior parte dos casos, melhor que os pais. E depois todos eles andam com o computador no bolso, que era uma coisa que aqui há um tempo não havia. E aqui há duas consequências. Nós falamos muito das redes sociais, mas o tema de andar com o computador no bolso não é só as redes sociais. As redes sociais são diferentes, mas há muitos tipos diferentes de redes sociais. É um tema de o que é que isso significa em termos de atenção, de capacidade de concentração, da forma como o tempo que nós conseguimos estar atentos a um problema. E isso tem a ver com muita coisa, tem a ver com isto, tem a ver com os streamings de televisão, tem a ver com muita coisa. E é um tema muito importante, por exemplo, pra temas como a leitura e a capacidade de concentração. Sem concentração é difícil haver leitura como deve ser. Mas ainda há outro tema que é a inteligência artificial. Há países, o caso da Estónia é talvez o melhor exemplo de todos, eu não vou entrar em muito detalhe, mas a Estónia criou programas próprios. Com a colaboração dos grandes gigantes da inteligência artificial para, nas escolas, utilizá-los não para dar as respostas finais, mas para ajudar na evolução do raciocínio.

Ou seja, para os ajudar a fazer a tal pergunta.

Não é só pra fazer a pergunta, é pra ir descobrindo o que precisam descobrir, mas exigindo que eles tenham algum conhecimento, não fazendo aquela coisa que é aquilo que nós fazemos cada vez que vamos a um restaurante, temos uma dúvida: "Olha, vamos lá ao doutor Google saber, afinal de contas, qual é a idade do Marcelo Rebelo de Sousa." Não é a coisa mais importante do mundo, eu estou a dizer isto porque há pouco tempo estava com uns amigos e começámos a discutir que idade tinha o Marcelo Rebelo de Sousa e fomos aqui ver essa dúvida.

O doutor Google abrevia-nos as discussões. Plana caprina no restaurante.

Sim, mas isto não é o essencial.

O essencial é tudo o resto que vem juntamente com isto. Há ainda um outro tema que também vale a pena ver e que em Portugal foi catastrófico, que foi: é indiscutível que as escolas fechadas prejudicaram a aprendizagem no tempo da pandemia. Portugal teve o encerramento maior de todo o mundo e teve dos piores programas de todo o mundo de recuperação das aprendizagens. Foi outra coisa que o Reino Unido fez bem. Fez uma gigantesca aposta na recuperação das aprendizagens e conseguiu recuperar relativamente a 2022, ao contrário do que se passou conosco. Há coisas aqui que são inelutáveis, nós não vamos parar a inteligência artificial, nós não vamos deitar os telhóveis pro lixo, mas há coisas que são políticas públicas. E eu acho que aquilo que devia ser a nossa grande preocupação na discussão sobre o PISA, não é encontrar desculpas com a inteligência artificial, com os comportamentos, com as redes sociais, mas sim procurar ver o que é que podemos mudar nas políticas públicas pra que daqui a quatro anos, o próximo, ou em menos de quatro anos, porque este já foi o ano passado, possamos recuperar alguma coisa. Não vamos recuperar tudo, mas possamos recuperar alguma coisa. Nós e grande parte do mundo.

E grande parte do mundo.

Porque a Inglaterra é uma exceção, a Estónia é uma exceção, a China e os países de culturas chinesas são outra exceção. E atenção, nós estamos a competir com eles.

É verdade. Já temos em estúdio vários convidados do Contracorrente, Carlos Seia, professor de Estudos Ingleses da Universidade Nova de Lisboa, também o matemático Jorge Buesco e o João Marôco, professor de Estatística na Universidade Lusófona. Bom dia a todos. João, começava por ti.

Uma pergunta muito aberta, já vamos falar do futuro, mas o que justifica estes maus resultados em Portugal, os piores desde 2006?

Bom dia a todos aqui presentes no estúdio e aos nossos ouvintes. João, se me permites, eu gostava de voltar um pouquinho atrás.