Aliados do senador buscam respostas sobre o futuro da direita em meio a incertezas enquanto partido sinaliza distanciamento do clã Bolsonaro

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos abriu uma frente de incertezas no PL (Partido Liberal) e na direita brasileira. Aliados do senador ainda buscam respostas sobre quem vai conduzir as articulações do grupo daqui para frente.

Há um consenso de que a fuga de Flávio dificulta as interações e negociações, inclusive com a própria bancada do PL. A perspectiva atual é de que seu papel deve se concentrar mais em dar orientações gerais do que cuidar dos meandros das articulações em Brasília.

Para parte dos aliados, trata-se de um capital político de quase 60 milhões de votos subutilizado ou até esfacelado. Correligionários de Flávio ainda esperam um sinal mais claro de como se posicionar, especialmente após a visita do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Uma reunião da sigla prevista para a semana seguinte deve servir para esclarecer os rumos do partido. Valdemar da Costa Neto já deixou claro que é preciso tocar o partido para frente.

Parte do PL defende o caminho da moderação, distante do teor golpista da carta atribuída a Flávio, especialmente num momento em que o partido precisa preservar a unidade e evitar que as incertezas sobre a família Bolsonaro contaminem outras articulações políticas, como as eleições para as presidências da Câmara e do Senado.

Enquanto isso, partidos do Centrão já negociam a definição dos comandos e a distribuição de espaços nas duas casas do Congresso. Uma das incógnitas é o quanto a crise vai afetar as ambições à presidência do Senado por parte de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.

Marinho segue demonstrando apoio ao senador ao sustentar a tese de perseguição política, mas é um dos que desaprovam qualquer questionamento sobre a integridade das eleições.

O grupo de Flávio também precisa administrar a repercussão dos episódios envolvendo a carta de teor golpista. Na quinta-feira (29), um aliado do senador chegou a atribuir à inteligência artificial a inclusão do termo "presidente eleito" e o uso do brasão antigo do Brasil em uma das versões divulgadas da carta.

Outro fator relevante é que, segundo o jornal The New York Times, um dos principais assessores de Donald Trump na Casa Branca, Jason Miller, providenciou o jato que Flávio usou para voar até Miami, nos Estados Unidos.