Recursos serão destinados a exportadores atingidos pela sobretaxa imposta por Washington

O programa prevê a oferta de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para exportadores de diferentes segmentos da economia e também para companhias afetadas pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também confirmou a sanção da lei que destina R$ 15 bilhões ao Plano Brasil Soberano, mecanismo criado para ampliar o acesso ao crédito em momentos de instabilidade no comércio internacional.

Os recursos serão disponibilizados a empresas exportadoras da indústria, do agronegócio, da mineração, da pesca, da aquicultura e do setor florestal, além de fornecedores dessas cadeias produtivas.

Segundo o governo, as empresas que recorrerem ao financiamento deverão cumprir contrapartidas, entre elas a preservação de parte dos postos de trabalho. A expectativa é oferecer capital para que as companhias consigam manter suas operações enquanto enfrentam o impacto das novas barreiras comerciais.

Outras iniciativas continuam sendo avaliadas pelo Palácio do Planalto e poderão ser adotadas caso as exportações brasileiras sofram dificuldades adicionais nos próximos meses.

A nova etapa do Brasil Soberano expande uma iniciativa lançada em 2025 para socorrer empresas atingidas pela primeira rodada de sobretaxas americanas.

A lei sancionada por Lula transforma em definitivo uma medida provisória editada em março deste ano, que autorizava a ampliação dos recursos destinados ao programa.

O objetivo é fortalecer a capacidade de financiamento do BNDES para empresas exportadoras diante de um cenário externo mais adverso.

O anúncio ocorre enquanto o governo mantém uma série de reuniões com representantes dos segmentos mais expostos às novas tarifas impostas por Washington.

Os encontros, iniciados nesta semana, têm como objetivo identificar os principais impactos sobre as exportações brasileiras e discutir alternativas para reduzir as perdas das empresas.

Representantes da indústria e do agronegócio têm defendido que o governo priorize a negociação diplomática com os Estados Unidos e evite medidas que possam ampliar as tensões comerciais entre os dois países.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que as conversas com autoridades americanas avançaram no início das negociações, iniciadas após um encontro entre Lula e o presidente Donald Trump, realizado na Malásia no ano passado.

Esse cenário, porém, mudou entre o fim de maio e o início de junho.

Segundo integrantes da equipe brasileira, representantes da Casa Branca passaram a adotar uma posição mais rígida e apresentaram exigências consideradas inaceitáveis pelo Brasil.

Isso inclui alterações nas regras do Pix e mudanças na legislação relacionada aos chamados minerais críticos, insumos estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.

Diplomatas brasileiros também afirmam que informações apresentadas pelo país sobre temas ambientais, como o combate ao desmatamento, foram desconsideradas durante as negociações.

Dias antes da confirmação das novas tarifas, negociadores brasileiros apresentaram aos Estados Unidos uma proposta para responder aos seis pontos levantados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil.

Segundo o governo, não houve retorno por parte das autoridades americanas.

Diante da proximidade do prazo fixado por Washington, integrantes do Executivo passaram a considerar pouco provável um adiamento da medida, embora uma última rodada de negociações tenha sido realizada antes da confirmação do aumento das tarifas.

Durante essas conversas, o Brasil reiterou que considera a decisão americana injustificada e incompatível com o histórico da relação comercial entre os dois países.