Ex-vereador disse na quinta-feira (17) estar fora da capital; OUTRO LADO: ele nega envolvimento em esquema do PCC no transporte de SP
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18.set.2026 às 10h01 Atualizado: 18.set.2026 às 17h31
André Fleury Moraes Tulio Kruse
A Polícia Civil apreendeu nesta sexta-feira (18) cerca R$ 740 mil em espécie, somando R$ 280 mil e outros US$ 89 mil, num endereço em Sorocaba (SP) de um ex-assessor ligado a Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal paulistana.
Autoridades se dirigiram ao imóvel nesta sexta para tentar localizar o paradeiro do político, que seguia foragido mais de 24 horas após a deflagração de uma operação que apura suposto elo de Milton Leite com o PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio de empresas de ônibus da cidade. Ele se apresentou e foi preso à tarde em Mogi das Cruzes.
Em Sorocaba, policiais ouviram que o ex-vereador havia passado pelo imóvel na quarta, um dia antes das diligências, mas que já não estava lá nesta sexta.
Em conversa com a Folha por telefone, Milton disse na manhã de quinta que estava fora de São Paulo e que se entregaria em 24 horas. "Estou me organizando com meus advogados", afirmou. Ele nega irregularidades.
A operação foi realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Ao todo, 16 pessoas foram alvo de prisão temporária em decisão que autorizou buscas em 18 endereços em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
A decisão que deu aval às diligências aponta Leite como "o dono de fato" da Transwolff. A empresa é acusada de lavar dinheiro para o PCC e nega quaisquer relações com a facção criminosa. O ex-vereador, de acordo com as investigações, seria responsável direto pela operação da empresa.
O mandado contra ele se baseia principalmente em menções feitas por terceiros. Uma é uma conversa de julho de 2024 do empresário José Daniel Satilite, da Translider, com um advogado. A outra é uma mensagem de um sargento da PM que chamou Leite de "chefe".
Milton nega qualquer participação na empresa. A Transwolff também.
A assessoria de imprensa da viação disse na quinta que o ex-vereador "nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou 'deu ordens' na empresa". Ainda segundo ela, "tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade".
Sobre operação contra Milton Leite
Não aparecem nas representações da polícia e da Promotoria pagamentos ou vínculos societários entre ele e as empresas investigadas.
Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans entre 2019 e fevereiro de 2025. A defesa diz que não teve acesso aos autos e que ele não tem antecedentes.
A apuração é desdobramento da operação Decúrio, de agosto de 2024. A Promotoria afirma ter identificado ao menos 12 empresas de transporte coletivo em operação na capital que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC.



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