Em programa, senador adota estilo 'paz e amor', mas, em entrevistas, revela alinhamento mais explícito aos EUA
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12.set.2026 às 23h00
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Patrícia Campos Mello
O próximo presidente da República, seja ele quem for, terá ao menos mais dois anos de relações difíceis com Donald Trump. Com histórico de atacar igualmente aliados e adversários, o presidente americano deve continuar pressionando o país para abrir espaço a seus interesses, segundo especialistas.
A agenda do próximo chefe do Executivo também deve ser marcada pelo esforço dos Estados Unidos em fazer o Brasil se afastar da China. Esse ponto é sensível inclusive para um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) que, apesar da proximidade com Trump, teria de pesar a dependência da economia brasileira em relação a Pequim.
Na política internacional, outros temas ainda se destacam como desafios para um novo mandato presidencial. A pressão por menos regulação das big techs e o combate ao narcotráfico transnacional são alguns deles, assim como as decisões sobre investimentos estrangeiros em terras raras e minerais críticos.
Na esteira do tarifaço e das sanções de Donald Trump contra o Brasil, a política externa assumiu protagonismo inédito na eleição presidencial deste ano. O tema coloca os dois candidatos líderes nas pesquisas em campos opostos.
Flávio Bolsonaro está na defensiva, por causa da repercussão negativa de sua proximidade com o presidente americano após as medidas de Washington contra o Brasil. O senador mal menciona política externa em seu programa de governo e tenta passar uma imagem de moderação para se diferenciar da diplomacia ideológica do mandato do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) elegeu política externa e defesa como elementos centrais de seu programa de governo, conectadas à soberania e ao desenvolvimento. O petista aposta que a popularidade gerada por sua reação firme a Trump no ano passado, quando foram impostas as primeiras tarifas, continue rendendo dividendos eleitorais, e tenta colar em Flávio a pecha de subserviente aos EUA.
Reportagens mostram os principais gargalos com que o mandatário eleito terá de lidar em sete áreas estratégicas —fiscal, saúde, segurança, Judiciário, relações internacionais, educação e energia— e apresenta as propostas dos principais candidatos para cada tema
Os minerais críticos ganharam importância no debate geopolítico atual por seu peso estratégico em setores como indústria de defesa, carros elétricos e tecnologias de alta complexidade. Uma corrida global pelos vastos depósitos de terras raras do Brasil está se intensificando, com EUA, China e Europa disputando acesso.
No começo do mês, o Senado aprovou o marco legal dos minerais críticos, que cria um conselho com poder de veto a parcerias estrangeiras. As competências do órgão ainda serão definidas.
Já a regulação das big tech mexe na agenda externa do próximo governo num momento em que os EUA têm pressionado países para evitar regras que prejudiquem as grandes empresas americanas do setor de tecnologia.
A Folha conversou com cinco das principais campanhas —Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Lula (PT), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante)— sobre seus planos para a política externa. A única campanha que não respondeu aos questionamentos da reportagem foi a de Flávio Bolsonaro.
No programa de governo enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Flávio não menciona Brics, Mercosul ou Donald Trump. O programa de 75 páginas reserva apenas 2,5 páginas para política externa, com propostas que passam longe do alinhamento à civilização cristã ocidental e o combate ao globalismo do ex-chanceler de Bolsonaro, Ernesto Araújo.
O candidato do PL promete "uma diplomacia guiada pelo profissionalismo e pelo pragmatismo, não pela ideologia." Fala em se reaproximar de parceiros como Argentina, Israel e EUA, mas promete negociar "da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos".
Em artigo publicado no jornal Gazeta do Povo no começo de setembro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, cotado para assumir o ministério das Relações Exteriores em um eventual governo Flávio, também adota o estilo paz e amor.




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