Empresas tradicionais apostam em tecnologia, criatividade e localização da cidade, mas ainda enfrentam entraves logísticos e tributários

Por Bernardo Marchiori

Se Juiz de Fora nasceu industrial, como suas indústrias tradicionais conseguem continuar relevantes em uma economia marcada por tecnologia, comércio eletrônico, novas marcas e mudanças rápidas no comportamento do consumidor? A pergunta dá seguimento à série de reportagens especiais do aniversário de 45 anos da Tribuna, voltada para a reconstrução do município a partir do questionamento sobre quais atividades econômicas têm potencial para sustentar a geração de emprego e renda nas próximas décadas, após a devastação causada pelas chuvas de fevereiro.

Neste contexto, surge o Arranjo Produtivo Local (APL) do Vestuário Farol da Mata. Consiste em um agrupamento de empresas, produtores e instituições de uma mesma região que trabalham juntos em atividades econômicas semelhantes ou ligadas. O documento aponta aproximadamente 1.540 empresas ligadas ao setor têxtil e de confecções em Juiz de Fora, responsáveis por cerca de 3.500 empregos diretos.

O destaque da Chico Rei também aparece nos números: já vendeu para mais de 30 países e produz, em média, 250 estampas e mais de 500 mil camisetas por ano. Além disso, o comércio na própria cidade é forte. “Juiz de Fora compra a marca. Dá para perceber que a Chico Rei é um orgulho para JF”, afirma com alegria. E, para ele, o diferencial sempre será a potência criativa.

Mariângela, do Sindivest-JF e APL do Vestuário Farol da Mata, acredita que é necessário transformar os ativos em vantagem competitiva real, com infraestrutura, segurança jurídica, agilidade para implantação de empreendimentos, qualificação profissional, energia, conectividade e logística eficiente.