Enquanto o Brasil celebra a data em 7 de setembro, baianos têm outro feriado para relembrar essa história
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26.jun.2026 às 23h00
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O feriado da Independência do Brasil é só lá no dia 7 de setembro. Só que, na Bahia, a Independência é comemorada daqui a poucos dias, no dia 2 de julho? A data, inclusive, é feriado por lá. Mas por quê, hein?
É que depois que dom Pedro 1º declarou que o Brasil seria independente em relação a Portugal, em 7 de setembro de 1822, os portugueses não foram embora imediatamente. Em várias regiões, soldados de Portugal ainda ocupavam várias cidades, e aconteciam muitos conflitos para decidir quem, de fato, mandaria no país —é o que chamam de Guerras da Independência.
A principal dessas cidades era Salvador, uma das mais estratégicas do Brasil. O porto da capital baiana era um dos mais movimentados das Américas, sendo ponto de entrada e saída de mercadorias, tropas e também de pessoas africanas escravizadas (a escravidão só acabou bem depois, em 1888). Além disso, o Recôncavo Baiano produzia muito açúcar, um dos produtos mais valiosos daquela época.
Portugal não queria perder o controle sobre nada disso, o que fez com que os conflitos na Bahia fossem mais longos e intensos. Mas o curioso é que essas batalhas envolveram uma mistura de soldados, trabalhadores, pescadores, indígenas, mulheres, homens livres e também pessoas escravizadas. Para o historiador baiano Ricardo Carvalho, essa diversidade ajuda a entender por que o 2 de julho é lembrado como uma data de participação popular.
Entre os nomes mais conhecidos está o de Maria Quitéria, que entrou para o Exército disfarçada de homem, já que mulheres não podiam ser soldados naquele período. Ela participou dos combates e se tornou uma das figuras mais marcantes da época.
Outra personagem importante é Maria Felipa, uma marisqueira da Ilha de Itaparica, que fica na Baía de Todos os Santos. Segundo relatos históricos, ela liderou um grupo de mulheres que resistiram às tropas portuguesas e participou de ações contra embarcações inimigas, dificultando o avanço dos soldados.
Há ainda Joana Angélica, freira do Convento da Lapa, em Salvador. Durante uma invasão do convento por tropas portuguesas, ela morreu ao usar o próprio corpo para impedir a entrada dos soldados no local e permitir a fuga de outras freiras. Com o tempo, se tornou símbolo de resistência e proteção.
Outro personagem do movimento de independência do Brasil na Bahia é um homem chamado Corneteiro Lopes. Em um confronto importante, chamado de Batalha de Pirajá, em Salvador, ele teria usado a corneta para confundir os soldados, que acreditaram que os brasileiros estavam recebendo reforços, e os fez ir embora.
Além das batalhas, houve também formas de resistência popular menos conhecidas. Um exemplo são as chamadas Caretas do Mingau, grupos de mulheres que se vestiam com lençóis, cobriam o corpo e saíam pelas estradas fazendo barulho para assustar portugueses. Elas também levavam mingau para alimentar os combatentes brasileiros.
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Em cidades como Saubara, no Recôncavo Baiano, essa tradição ainda é lembrada em cortejos realizados no dia 2 de julho, quando mulheres repetem o gesto de cobrir o corpo com lençóis em referência a esse passado.
Mas o que será que aconteceu exatamente no dia 2 de julho de 1823? Nesse dia, as tropas portuguesas deixaram Salvador após terem perdido a guerra. Sem condições de continuar a resistência, embarcaram em navios e retornaram para Portugal. A cidade foi tomada por comemorações nas ruas, marcando o fim dos conflitos e a consolidação da independência na Bahia.
Para muitos historiadores, esse foi o momento em que o Brasil realmente ficou independente de Portugal. É por isso que essa data é tão importante para os baianos, que a chamam de Independência do Brasil na Bahia e também de Dia da Libertação Nacional.




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