As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,9 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência dessas doenças. A campanha Setembro Vermelho, dedicada à conscientização sobre a prevenção e o combate às doenças cardiovasculares, chama atenção para uma realidade que ainda precisa ser mais debatida: embora os problemas cardíacos sejam historicamente associados aos homens, as mulheres também estão entre as principais vítimas dessas doenças.

Segundo o cardiologista Carlos Japhet, do Hospital Santa Joana Recife, Rede Américas, a percepção de que mulheres não sejam também o alvo dessas doenças é baseada em desinformação. “As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte feminina no mundo. Portanto, é mito acreditar que essas são enfermidades predominantemente masculinas e que a maior ameaça à mulher é apenas o câncer, especialmente o câncer de mama”, alerta.  As principais doenças cardiovasculares são hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e arritmia cardíaca. Entre os motivos por trás do impacto dessas doenças em mulheres e da alta taxa de mortalidade nesse grupo está a relação entre os fatores de risco e as condições clínicas exclusivas ou mais prevalentes no organismo feminino.  "Hipertensão, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo também atingem intensamente as mulheres, e alguns desses fatores, especialmente diabetes e tabagismo, podem produzir impacto cardiovascular proporcionalmente maior nelas”, afirma o cardiologista. Condições próprias ou com maior prevalência em mulheres e que também influenciam na saúde cardiovascular são a pré-eclâmpsia e outras síndromes hipertensivas da gestação, diabetes gestacional, menopausa precoce, doenças autoimunes (que são mais frequentes nas mulheres), tratamentos oncológicos potencialmente cardiotóxicos, entre outros.  “Além disso, mulheres ainda são diagnosticadas mais tardiamente e permanecem sub-representadas nos estudos clínicos. Isso mostra que a elevada mortalidade não ocorre porque o coração feminino seja mais frágil, mas porque o risco ainda é subestimado e a prevenção frequentemente começa tarde”, complementa.  Desmistificando o infarto nelas: a dor no peito e os sintomas atípicos Um grande desafio dentro das unidades de pronto-socorro é o diagnóstico de infarto em mulheres, pois, apesar de não ser uma regra, elas podem apresentar sintomas diferentes. “É um equívoco imaginar que toda mulher com infarto apresentará apenas sintomas atípicos. A dor ou o desconforto torácico continua sendo uma manifestação frequente em ambos os sexos. Entretanto, as mulheres podem apresentar outros sinais, isolados ou associados, aos quais precisamos estar atentos”, alerta Carlos Japhet. Entre os sinais de infarto em mulheres, para além da dor no peito, estão a falta de ar; sudorese fria; náuseas; vômitos; desconforto epigástrico (boca do estômago); fadiga intensa, repentina e inexplicável; dores irradiadas para as costas, o pescoço ou a mandíbula; e tonturas ou sensação iminente de desmaio.