Donald Trump escolheu J.D. Vance para comandar as negociações com o Irã. O vice-presidente será responsável por tentar o acordo que pode ter o maior impacto geopolítico para os Estados Unidos em anos. Seu futuro político inevitavelmente dependerá do sucesso ou fracasso desse diálogo. Diante dos enormes obstáculos, não será uma tarefa fácil para o número dois do governo norte-americano.
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Por que não Rubio? – Normalmente, é o secretário de Estado que lidera negociações desta dimensão. Marco Rubio, além de comandar o Departamento de Estado, é o assessor de segurança nacional de Trump. Chama a atenção ter sido preterido para essa negociação. Claro que não carregará o ônus de um possível fracasso. Ao mesmo tempo, tampouco terá os louros de um sucesso.
Primárias – Vance, desde que foi escolhido para compor a chapa com Trump, é visto como um possível e provável candidato republicano à Presidência em 2028. Já Rubio, que disputou as primárias contra Trump em 2016, passou a ganhar força como um possível rival do vice-presidente nos últimos meses. Claro que um terceiro nome pode aparecer. Mas os dois são hoje os mais fortes para liderar os republicanos na sucessão de Trump, impedido pela Constituição de disputar um terceiro mandato.
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Isolacionista – Em política externa, Vance e Rubio possuem visões distintas. O vice-presidente vem de uma ala mais isolacionista do trumpismo e sempre foi crítico de ações militares no Oriente Médio. Já o secretário de Estado segue a linhagem tradicional intervencionista e bélica do Partido Republicano dos tempos de George W. Bush. Os dois, no entanto, evitam entrar em choque com Trump tanto em assuntos domésticos como de política externa. Querem mostrar lealdade ao presidente.
América em primeiro lugar – No caso do Irã, Vance desde o início disse ser contrário à guerra, mas apoiaria Trump no que ele decidisse. Rubio, embora cauteloso, sempre foi mais simpático a ações militares contra o regime iraniano. Mais uma vez, pesou o viés isolacionista do vice-presidente e o viés bélico do secretário de Estado. Para deixar claro, Vance jamais apoiou o regime iraniano. Simplesmente avaliava que uma guerra não traria benefícios para os EUA. Ao contrário, poderia jogar o país em mais um atoleiro, como no Iraque e no Afeganistão. É também América “First”, enquanto Rubio muitas vezes é acusado, como outros políticos norte-americanos, de colocar os interesses israelenses em primeiro lugar.
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Efeito Netanyahu – Trump entrou na guerra por decisão própria depois de se sentir empoderado com a remoção de Nicolás Maduro na Venezuela. Benjamin Netanyahu certamente teve enorme influência no convencimento. Já Rubio, apesar de não impor obstáculos, tampouco foi um incentivador. O ceticismo de Vance, no entanto, pode ter feito Trump respeitá-lo mais depois do fiasco na guerra. Embora jamais vá admitir, o presidente sabe que seu vice estava correto.
Respeito – Os iranianos também respeitam mais Vance. Não confiam em Jared Kushner e Steve Witkoff depois que os EUA bombardearam o país em meio ao diálogo tanto em fevereiro deste ano quanto em junho do ano passado. Sabem também do peso simbólico de negociar com um vice-presidente. Dá mais garantias de que os norte-americanos cumprirão o acordo. Veem Vance como uma figura ideologicamente decidida a mudar o envolvimento norte-americano no Oriente Médio.

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