Canal britânico investiga o inflacionamento contínuo do mercado de jogadores
Compartilhar matériaOs valores das contratações da Premier League continuam batendo recordes e transformando o mercado de transferências do futebol europeu. Apenas nesta janela, três jogadores foram negociados por mais de 100 milhões de libras, algo inédito na história da competição.
Para entender esse movimento, a BBC investigou os fatores que sustentam a escalada dos preços. Chelsea, Manchester City e Tottenham protagonizaram as maiores negociações do verão europeu.
O Chelsea acertou a compra de Morgan Rogers por 117 milhões de libras (cerca de R$ 855 milhões), o City desembolsou 116 milhões de libras (R$ 848 milhões) por Elliot Anderson e o Tottenham investiu 100 milhões de libras (R$ 731 milhões) em Sandro Tonali.
A lista de grandes investimentos ainda inclui a contratação de Mateus Fernandes pelo Tottenham por 85 milhões de libras (R$ 621 milhões), Anthony Gordon pelo Barcelona por 69 milhões de libras (R$ 504 milhões) e Andrey Santos pelo Manchester United por 50 milhões de libras (R$ 365 milhões).
Mesmo antes do fechamento da janela, em 1º de setembro, o mercado já entrou para a história. Segundo a BBC, também foi a primeira vez que os clubes da Premier League ultrapassaram 3 bilhões de libras (cerca de R$ 21,9 bilhões) em gastos durante uma única janela de transferências.
A reportagem da BBC aponta que não existe uma única explicação para a inflação do mercado inglês.
O aumento das receitas da Premier League, a valorização dos jogadores já adaptados ao campeonato e as regras para inscrição de atletas formados localmente criaram um ambiente em que os clubes aceitam pagar cada vez mais.
O caso de Morgan Rogers ilustra bem essa lógica. O Chelsea comprou um jogador do Aston Villa, equipe que terminou à frente dos londrinos em três das últimas quatro temporadas. Em outros tempos, fortalecer um concorrente direto poderia ser visto como um risco. Desta vez, bastou pagar o valor exigido.
Para o especialista em finanças do futebol Kieran Maguire, ouvido pela BBC, cada grande negociação cria um novo parâmetro para o mercado.
"Ela estabelece um referencial. O Nottingham Forest queria ficar próximo do recorde porque entendia que Elliot Anderson era um jogador essencial e muito disputado", afirmou.
"Depois, esse valor foi superado, ainda que por pouco, pela negociação de Morgan Rogers. Isso permite ao clube dizer que realizou a maior venda de um jogador inglês. Existe também uma questão de prestígio", acrescentou Maguire.
Depois que o Manchester City pagou 116 milhões de libras por Anderson, o Aston Villa deixou claro que só negociaria Rogers por um valor superior. O Chelsea aceitou desembolsar 117 milhões de libras, enquanto o Arsenal chegou a estudar a contratação, mas desistiu ao considerar o preço elevado.
Segundo a BBC, o episódio mostra como o mercado reage rapidamente a novos recordes. Assim que uma negociação redefine o teto das transferências, jogadores com características semelhantes passam automaticamente a ser avaliados em patamares mais altos.
Outro fator decisivo é a exigência de atletas formados na Inglaterra. Os clubes da Premier League precisam registrar ao menos oito jogadores "homegrown" em seus elencos de 25 atletas, enquanto equipes que disputam torneios da Uefa também devem cumprir regras semelhantes.
Essa obrigação reduz a oferta de jogadores qualificados e aumenta a concorrência entre os clubes ingleses. Ao mesmo tempo, contratar atletas já adaptados ao futebol local diminui os riscos normalmente associados às contratações internacionais.
Maguire define os jogadores da Premier League como atletas "prontos para uso". "Como a liga é muito rica, dificilmente um clube é obrigado a vender por dificuldades financeiras", explicou o especialista em entrevista à BBC.
"Quando falamos de jogadores ingleses, ainda existe a regra dos atletas formados localmente, que amplia a flexibilidade dos clubes. Somando tudo isso, a Premier League acaba impulsionando esse mercado", completou.
Além da adaptação ao estilo de jogo e à intensidade física do campeonato, os clubes sabem exatamente o que esperar desses atletas. Essa previsibilidade faz com que eles custem mais do que jogadores vindos de outras ligas.
Outro elemento importante é a força econômica da Premier League. Os contratos bilionários de direitos de transmissão garantem aos clubes ingleses uma capacidade de investimento muito superior à de praticamente todas as demais ligas do mundo.
A BBC destaca que outro movimento chama atenção nesta janela: clubes passaram a negociar jogadores considerados fundamentais. O Aston Villa vendeu Rogers, o Nottingham Forest aceitou liberar Anderson e o Newcastle autorizou a saída de Anthony Gordon.
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