Atacante do Corinthians teve regressão na recuperação de lesão na coxa devido ao surgimento de uma fibrose muscular; camisa 9 ainda não tem previsão pra retomar trabalhos em campo

Compartilhar matériaO atacante Yuri Alberto não entra em campo pelo Corinthians na partida de ida das quartas de final da Libertadores, contra o Estudiantes, na Argentina, nesta quarta-feira (9). O jogador sofreu um recuo no processo de reabilitação de uma lesão na parte posterior da coxa direita por conta de uma complicação causada por fibrose durante a cicatrização.

Após ser liberado pelo departamento médico para a fase de transição física e participar de dois treinos com o elenco, o atleta voltou a sentir dores durante uma corrida no dia 27 de agosto. Yuri ainda não tem previsão para retomar os trabalhos em campo e sua presença na partida de volta, marcada para o dia 16 de setembro, ainda é incerta. 

A fibrose surge como parte do processo de recuperação orgânica após uma agressão às fibras do músculo.

"A fibrose é, basicamente, o tocedio de cicatrização que se forma depois de uma lesão muscular. Quando ocorre uma ruptura de fibras musculares, o organismo precisa reparar aquela região e, nesse processo, produz tecido rico em colágeno, uma espécie de cicatriz", explica o Dr. Bruno Canizares, ortopedista e traumatologista do esporte.

Segundo o especialista, a formação do tecido é esperada, mas pode virar um obstáculo quando perde flexibilidade ou não atinge a maturação necessária para suportar exigências físicas extremas.

"O problema é quando a cicatriz fica mais rígida ou ainda não está suficientemente remoldada para suportar as cargas às quais o músculo será submetido, principalmente em um atleta de alto rendimento", afirma.

Um dos pontos centrais no tratamento de lesões musculares em futebolistas é a distinção entre a ausência de sintomas nas atividades cotidianas e a aptidão para a competição de elite. 

"Estar sem dor não significa necessariamente estar pronto para voltar ao esporte. O atleta pode estar completamente assintomático nas atividades do dia a dia e até em exercícios leves, mas o futebol profissional exige uma capacidade muito maior do músculo: corrida em alta velocidade, aceleração, desaceleração, mudança de direção e sprint", aponta o traumatologista.

A avaliação médica vai além do relato do paciente e envolve testes de força, mobilidade, controle neuromuscular e tolerância progressiva a cargas. Durante movimentos de sprint na musculatura posterior da coxa, o tecido é submetido a altíssima exigência de força e alongamento simultâneos.

Caso a cicatrização ainda seja frágil ou a progressão de esforço ocorra de forma precipitada, a região pode voltar a sofrer microtraumas. 

Pressionados por partidas decisivas e cronogramas apertados, clubes e atletas muitas vezes enfrentam o dilema entre aguardar a regeneração completa ou antecipar o retorno. Do ponto de vista técnico, acelerar o processo traz riscos graves para a carreira do jogador. 

"Sem dúvida, do ponto de vista médico, o maior risco é voltar antes. Alguns dias a mais podem significar perder um pouco de ritmo de jogo ou condicionamento específico, coisas que normalmente conseguimos recuperar. Voltar antes de o tecido estar preparado pode provocar uma nova ruptura", alerta Canizares.

Ainda segundo o especilaista, episódios de reincidência tender a aumentar a gravidade e a extensão da lesão, o que transforma pequenos período de afastamento em longas semanas de tratamento. 

"Principalmente no futebol profissional, existe sempre pressão por calendário e por jogos decisivos, mas biologicamente o músculo não sabe se a próxima partida é um amistoso ou uma final de Libertadores. Ele precisa estar preparado para suportar a carga", conclui o médico.