A Porsche deverá passar nos próximos meses por um período de queda de vendas no Brasil. O Macan a combustão, que era de antiga geração e convivia com a nova (100% elétrica), saiu de linha há poucos dias. Há estoques, que devem segurar os emplacamentos

A Porsche deverá passar nos próximos meses por um período de queda de vendas no Brasil. O Macan a combustão, que era de antiga geração e convivia com a nova (100% elétrica), saiu de linha há poucos dias. Há estoques, que devem segurar os emplacamentos por algum tempo, de acordo com fontes.

Porém, quando os exemplares remanescentes chegarem ao fim, o Macan deve sentir a queda, já que a versão a combustão representa grande parte das vendas do produto. E este SUV é um dos três campeões de emplacamentos da Porsche, junto com o 911 e o Cayenne.

Mas, sem o Macan a combustão, ficará apenas o elétrico? Nesse caso, o SUV estaria destinado a se tornar um carro com vendas insignificantes. Isso porque, diferentemente do que ocorre nos segmentos até R$ 200 mil, os EVs de alto valor agregado ainda não conseguiram convencer o brasileiro.

Para se ter uma ideia, o Volvo EX90 somou apenas 38 emplacamentos no Brasil no primeiro semestre de 2026. BMW IX1? 19. O Q8 e-tron teve somente oito exemplares vendidos. Vale lembrar que o Macan elétrico mais barato custa R$ 690 mil.

A boa notícia é que há futuro para o Macan a combustão. Mesmo que ele passe a trazer um novo nome - algo que, segundo apurou esta colunista, é muito provável, embora ainda não esteja definido. Independentemente de como a Porsche o batizar, fato é que seu próximo SUV médio será lançado globalmente em 2028.

Além de versões apenas com motor a combustão, o carro terá também opções híbridas. Já a configuração EV, 100% elétrica, ficará restrita ao Macan vendido atualmente.

A plataforma, como já ocorria com o antigo Macan a combustão, será a mesma do Q5. Vale destacar que sua fabricante, Audi, faz parte do Grupo Volkswagen, assim como a Porsche.

Dessa forma, a Porsche adota uma estratégia semelhante à da BMW: a de manter produtos de mesmo segmento em plataformas diferentes, de acordo com o tipo de propulsão. No segundo semestre, chegará ao Brasil o ix3, primeiro carro da família que a fabricante batizou de Neue Klasse (nova classe, em tradução para o português).

Trata-se de um SUV elétrico. Posteriormente, o X3, a combustão, também ganhará estilo e interior do novo produto. Sua plataforma, porém, não será a mesma dos Neue Klasse, que ficará restrita aos EVs. Ele usará a mesma base da geração atual.

BMW e Porsche estão entre as poucas marcas que nunca adotaram o discurso do futuro 100% elétrico. No caso da primeira, sempre houve o planejamento de manter, em cada família, opções com todo o tipo de propulsão, da combustão ao EV.

Já no caso da Porsche, a impressão é de que, no caso dos SUVs Macan e Cayenne, a intenção era ter apenas modelos elétricos. Porém, há um movimento global de recuo das montadoras em relação ao futuro 100% EV.

A primeira a deixar claro a mudança de direção foi a Volvo. Uma das maiores entusiastas da ideia da gama 100% elétrica a partir de 2030, a sueca anunciou, em 2024, que este plano estava postergado por tempo indeterminado. Assim, continuaria produzindo não apenas produtos híbridos, mas também carros 100% a combustão.

Diferentemente da Volvo, a Audi não anunciou oficialmente que abandonou os planos de ter linha apenas de elétricos. Porém, é fato que está trabalhando agora em novas gerações de produtos híbridos. Inclusive, enquanto diversas montadoras mostraram supercarros com sistema EV nos últimos meses, a alemã apresentou um produto híbrido - o Nuvolari.

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