Hernan Saenz, partner da Bain & Company, defende uma mudança de paradigma na gestão e na estratégia industrial do país.

Portugal tem condições para dar um salto na produtividade e afirmar-se como um dos principais polos tecnológicos da Europa, mas terá de investir na qualificação da força de trabalho, promover uma cultura empresarial mais inovadora e acelerar a integração da tecnologia em todos os setores da economia. A convicção é de Hernan Saenz, partner da Bain & Company, que defende uma mudança de paradigma na gestão e na estratégia industrial do país.

Para Hernan Saenz, a transformação não depende apenas da tecnologia, mas também da forma como as empresas são lideradas.

Segundo o responsável da Bain, existem três prioridades para aumentar a competitividade de Portugal: reforçar a educação e as competências tecnológicas, desenvolver uma cultura empresarial mais orientada para a inovação e integrar a tecnologia em todos os processos e modelos de negócio.

Na sua experiência internacional, esta aposta está a ser feita de forma mais agressiva em vários mercados da Ásia e das Américas.

Para o consultor, a inteligência artificial e outras tecnologias só gerarão ganhos significativos de produtividade se forem acompanhadas por uma transformação organizacional e por uma aposta contínua na formação.

Portugal pode afirmar-se como refúgio tecnológico

Hernan Saenz acredita igualmente que Portugal reúne condições para se posicionar como um destino privilegiado para atividades tecnológicas de elevado valor acrescentado.

Na sua opinião, o país já demonstrou capacidade de adaptação em setores tradicionais, como o têxtil, que evoluiu para segmentos de maior valor e produção mais flexível.

Agora, considera que essa capacidade pode ser replicada na economia digital.

Além disso, identifica outra vantagem competitiva: a abundância de energias renováveis.

Segundo Saenz, o país pode não só liderar na produção de energia verde, como também atrair indústria intensiva em tecnologia alimentada por fontes renováveis.

IA vai libertar tempo para liderar pessoas

A inteligência artificial deverá transformar profundamente o trabalho dos gestores, acredita o partner da Bain & Company.

Em vez de substituir os líderes, a IA permitirá automatizar tarefas analíticas e administrativas, libertando tempo para funções onde o fator humano será ainda mais relevante.

Na sua visão, os futuros líderes terão de desenvolver competências psicológicas, sociais e organizacionais para criar equipas mais eficazes e organizações mais inovadoras.

Segundo explica, variam aspetos como a formalidade das reuniões ou a forma como se iniciam as conversas, mas os desafios de gestão são praticamente universais. Entre eles destaca um dos mais difíceis: conseguir que a estratégia definida pela administração chegue efetivamente às equipas da linha da frente.

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