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O presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), sinalizou ao pré-candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), que a tendência da federação formada por PP e União Brasil é caminhar neutra na eleição presidencial. O presidenciável do PL ainda tenta atrair a federação para a coligação, a fim de mostrar força política e ampliar tempo de propaganda na televisão e recursos do fundo eleitoral.

Além de mirar a federação União-PP, Flávio também aguarda resposta do presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), que está fazendo consultas internas para definir a posição da legenda na corrida presidencial. No pleito de 2022, PP e Republicanos se coligaram ao PL, em torno da reeleição do então presidente Jair Bolsonaro.

Ao Valor, Nogueira negou definição sobre o apoio a Flávio. Ele e o pré-candidato do PL à Presidência se reuniram na quarta-feira (22) em Brasília para tratar de aliança nacional e palanques regionais. O PL, no entanto, segue a negociação. O partido vai confirmar a candidatura presidencial de Flávio no sábado (25), mas as alianças podem ser definidas até 5 de agosto, quando se encerra o prazo das convenções.

“Não confirmo [ter sido avisado da neutralidade do PP]. Continuamos conversando”, disse o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio.

Nos últimos meses, fontes do PP diziam que a federação caminhava para a neutralidade no plano nacional, com base em pelo menos três razões. Em primeiro lugar, as divergências de rumo regionais dificultam a aliança nacional. Na Paraíba e no Maranhão, por exemplo, o Progressistas terá palanques junto com o PT. Em paralelo, na Bahia, o pré-candidato ao governo pelo União, ACM Neto, quer se distanciar da polarização, e já avisou que terá em seu palanque o presidenciável do PSD, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado.

No Maranhão, o ex-ministro do Esporte André Fufuca, que é do PP, terá o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida por uma vaga ao Senado. Na Paraíba, o governador Lucas Ribeiro (PP), que buscará a reeleição, também conta com o apoio de Lula, e terá o PT na coalizão de apoio à sua candidatura. Ribeiro é sucessor do ex-governador João Azevêdo, do PSB, que disputará o Senado.

Outro obstáculo é a falta de entusiasmo de lideranças das siglas com a candidatura de Flávio. O desânimo se agravou após recentes declarações de Flávio levantando suspeitas sobre as urnas. Uma fonte do PP lembrou que, se o presidenciável do PL trocasse a moderação pelo radicalismo do pai, afastaria os partidos do Centro.

Um terceiro complicador seria o mal-estar que não se dissipou entre Ciro e Flávio, e PP e PL. Interlocutores de Ciro Nogueira dizem que ele ainda não digeriu as declarações do senador do PL de que o dirigente do PP deveria dar explicações sobre seus laços com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, quando vieram a público dados de investigações da Polícia Federal (PF). Na ocasião, Nogueira negou qualquer irregularidade na relação com Vorcaro. Logo depois, veio à tona que o próprio Flávio tinha elos com o ex-dono do Banco Master, que financiou o filme “Dark Horse” sobre a trajetória de Bolsonaro. O senador do PL também repudia ilegalidade no empréstimo do ex-banqueiro para a produção.

Por fim, o PP não gostou de movimentos do PL. A sigla de Flávio negou vaga na chapa do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição, ao senador Esperidião Amin (PP). Amin também mira novo mandato. O PL lançou dois quadros próprios ao Senado: a deputada Carol de Toni e o ex-vereador Carlos Bolsonaro.