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Dominik Krause foi anunciado como novo prefeito de Munique (Alemanha) e recebeu um beijo de seu noivo. O beijo virou assunto. Krause não está evitando o assunto, mas, em entrevista à imprensa alemã, ponderava se o primeiro-ministro, Friedrich Merz, seria indagado sobre o beijo que deu em sua esposa quando se tornou presidente de partido.

Krause, 35 anos, é um prefeito jovem para os padrões dos grandes centros urbanos alemães, gay e integrante dos Verdes, um partido que perdeu considerável peso na última eleição federal. À frente da capital da Baviera desde 1° de maio, ele soa como exceção em uma Alemanha que parece pronta para ser tomada de assalto pela ultradireita.

Para Munique, porém, é quase um continuísmo. Em 2024, Krause se tornou vice-prefeito, após 12 anos no Stadtrat, o conselho municipal, algo como a Câmara de Vereadores. Superou o antigo prefeito, o social-democrata Dieter Reiter, em uma campanha respeitosa, coerente com o passado recente de aliados.

Ao mesmo tempo, o estado da Baviera é comandado pela CSU, os democratas-cristãos, com quem o novo prefeito promete convivência pacífica. No ano passado, chamou a atenção ao elogiar Markus Söder, o governador, por ele ter hasteado a bandeira do arco-íris na sede do governo durante o Christopher Street Day.

Na Alemanha, a data designa as paradas LGBTQIA+, e o sinal do líder conservador veio logo depois de Julia Klöckner, presidente do Bundestag, recusar o gesto no prédio do Parlamento alemão, em Berlim.

Cumpriu o objetivo, montando uma coalizão heterodoxa, com três grupos parlamentares compostos por cinco partidos, união que não se vê em outros locais do país. Pelo contrário, a ascensão da AfD, o partido de ultradireita com chance de chegar ao poder em dois estados em setembro, tem dificultado o debate político alemão.

A plataforma do novo prefeito reflete a opção pelo consenso, abdicando de soluções fáceis, algo que a centro-direita europeia vem emulando dos populistas em busca de votos perdidos. Promessa de campanha, Krause quer viabilizar a construção de 50 mil moradias populares, problema crônico em Munique e no país. Alugar um apartamento na cidade é uma tarefa hercúlea; comprar, quase impossível.

Corte de gastos também está no plano de governo. Munique tem uma dívida pública de EUR 7 bilhões (R$ 40,7 bilhões), uma das mais altas entre as grandes cidades europeias. Para especialistas, curiosamente, isso é fruto do elevado dispêndio com bem-estar social, habitação e mobilidade, não de má gestão.

A contenção, porém, não deve fazer Krause retirar seu apoio à candidatura da cidade aos Jogos Olímpicos de 2036. O país espera organizar o evento cem anos depois de Berlim, que, em 1936, teve uma edição instrumentalizada pelo regime nazista. É um pleito popular, ao menos em Munique.

Um plebiscito para afiançar a candidatura teve 66% de aprovação, mobilizando 42% dos habitantes, a maior marca já registrada em um referendo na cidade.

A maioria dos especialistas em contas públicas não recomenda organizar Jogos Olímpicos, cada vez mais caros e complexos. Em Munique, porém, a percepção da população é inversa. A edição de 1972, marcada pelo ataque terrorista contra atletas de Israel, provocou uma grande transformação urbana na cidade, com ampliação do metrô, da oferta de moradias e um Parque Olímpico ainda em forma meio século mais tarde.