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27.out.2026 às 23h38 Atualizado: 27.out.2026 às 23h38

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Walter Porto Isadora Laviola

Pelo segundo ano consecutivo, o biógrafo e escritor Ruy Castro foi sagrado o autor do melhor livro do ano pelo prêmio Jabuti, agora pelo livro-reportagem "Trincheira Tropical". É a primeira vez que uma dobradinha assim acontece na história do prêmio.

Já "Meridiana", da carioca Eliana Alves Cruz, foi eleito o melhor romance literário do ano. Os dois livros saíram pela Companhia das Letras.

A obra de Castro investiga os efeitos da Segunda Guerra Mundial na vida dos cariocas e a participação deles no conflito europeu e ganhou na categoria de biografia e reportagem. No ano passado, Castro foi eleito por sua coletânea de crônicas sobre Tom Jobim.

O imortal da Academia Brasileira de Letras já venceu há 30 anos por sua biografia seminal de Mané Garrincha, "Estrela Solitária", e foi escolhido melhor romancista literário em 2023 por "Os Perigos do Imperador", de tintas mais ficcionais.

Dessa vez, o autor não esteve na cerimônia —esta foi em São Paulo, enquanto no ano passado aconteceu no Rio de Janeiro, onde ele mora. Foi representado por sua editora na Companhia das Letras, Camila Berto.

Ela apontou a coincidência de o escritor ser premiado no exato dia em que sua editora completa 40 anos —Castro é o autor mais publicado pela Companhia, desde seu clássico "Chega de Saudade", de 1990.

Alves Cruz também já foi reconhecida há quatro anos pelo livro de contos "A Vestida", da Malê. Agora ela prevaleceu em uma categoria de romance com nomes fortes, já premiados, como Milton Hatoum e Itamar Vieira Junior.

O romance acompanha a história de uma família negra que ascende de classe social e se muda da periferia para um condomínio, observando sua relação com o racismo e seu horizonte de possibilidades mudar aos poucos. A obra centra seu olhar na caçula dos três filhos, a menina Meridiana, que tem o olhar mais ácido entre os personagens.

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O escritor baiano Ian Fraser foi coroado como autor do melhor romance de entretenimento por "Cartografia para Caminhos Incertos", da editora Intrínseca. Era um dos poucos livros lançados por uma grande editora na categoria. O autor subiu ao palco aos gritos de "viva a democracia", com uma camisa vermelha estampada com o presidente Lula (PT).

O melhor livro de poesia do ano foi "Boris e Marina", que Alberto Martins publicou pela Companhia das Letras —o autor veterano também atua como editor na 34. A obra usa cartas reais trocadas há cem anos pelos poetas Boris Pasternak, Marina Tsvetáieva e Rainer Maria Rilke, entre a Rússia, a França e a Suíça, como ponto de partida para a elaboração de sua voz poética.

Já a melhor poeta estreante foi Juliana Cajives, multiartista goiana radicada em Salvador, que teve seu livro "História a que Ninguém Deu Nome" publicado na editora baiana Mormaço Editorial. Em romance de estreia, venceu "Pitangas Verdes", de Mariana Lobato Botter, que também é diplomata e mantém a página Livro Diverso para divulgação de literatura. O livro foi lançado pela independente Labrador.

O potiguar Luckas Iohanathan se tornou bicampeão no Jabuti de histórias em quadrinhos por "Ouroboros", publicado pela Comix Zone, assim como seu livro premiado dois anos atrás, "Como Pedra".