Candidatos aos mais diversos cargos dessas eleições já gastaram R$ 3,5 bilhões nas campanhas, sendo R$ 154 milhões despendidos pelos presidenciáveis. Enquanto os demais têm como principais tipos de despesas a produção de material impresso e mobilização de rua…

Após Tarcísio e Kalil, as campanhas de governador mais caras são de Douglas Ruas (PL), no Rio de Janeiro, com R$ 12,4 milhões em despesas, seguido do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), em São Paulo, que gastou até agora R$ 12,3 milhões.

Dentre os candidatos ao Senado, o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL) lidera as despesas, com R$ 4,8 milhões, seguido da deputada federal Benedita da Silva (PT), ex-prefeita do Rio de Janeiro, com R$ 4,6 milhões, e o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com R$ 4,2 milhões.

Lula, além de liderar as despesas totais e gastos com serviços jurídicos, que totalizam R$ 4 milhões, tem o contrato mais caro destas eleições, no valor de R$ 31 milhões, quase metade de toda a sua despesa. Ele é firmado com a Delta3 Comunicação e Projetos Ltda, cujos donos são os publicitários baianos Chico Kértesz e Raul Rabelo, sócios em outra empresa do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira.

Em terceiro lugar, estão os dois contratos de R$ 10 milhões cada firmado com a Épos Brasil, do marqueteiro Marcos Carvalho, pela campanha de Ronaldo Caiado (PSD). O publicitário foi contratado no dia 16 de agosto, quando assumiu o lugar de Paulo Vasconcellos. Carvalho, até então, cuidava das redes sociais de Caiado e já atuou com Flávio no início do ano.

Todos os principais contratos são voltados para a produção de conteúdo em marketing digital, rádio e TV. O levantamento foi feito pelo Valor a partir dos dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados até a manhã desta terça-feira, 15, o que inclui as prestações de contas entregues pelos candidatos até o último domingo, 13.

Dentre os gastos com advogados, após Lula (PT), com R$ 4 milhões, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece em segundo lugar, com mais despesas do que Flávio Bolsonaro (R$ 3,7 milhões ante R$ 3,35 milhões). O senador, contudo, tem o contrato mais caro com um escritório de advocacia nesta campanha, de R$ 3,15 milhões, com o Bucchianeri Advocacia, da ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Claudia Bucchianeri, nomeada por Jair Bolsonaro em 2021. Ela deixou a Corte em 2023. Ele trabalha ainda com outros escritórios. Haddad aparece em quatro lugar, com R$ 1,9 milhão pagos.

A coordenação jurídica da campanha Lula é feita pelo escritório Ferraro, Rocha e Novaes, que já teve entre seus quadros o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão e vem atuando pelo partido desde 2018. Já Tarcísio recrutou o Malheiros, Penteado e Toledo Advogados por R$ 3 milhões, fundado pelo advogado Arnaldo Malheiros, referência em Direito Eleitoral e que faleceu no dia 4 de setembro. O escritório também foi contratado pela equipe de Caiado, no valor de R$ 500 mil.

Já Flávio Bolsonaro pagou R$ 5 milhões para a empresa Paranoá para estratégia digital e tem um contrato de R$ 3,7 milhões com a Aurea Tecnologia para a TV Flávio Celular, lançada no dia 7 de setembro, que tem transmissão ao vivo 24 horas. Além disso, gastou R$ 7 milhões com consultoria e assessoria de imprensa e R$ 2,2 milhões para com taxi aéreo.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) ocupa o quarto lugar no ranking, com R$ 4 milhões gastos na campanha até o momento. O foco foi investir em marketing e estratégia digital, sendo R$ 930 mil contratados com a Reframe it Consultoria e R$ 450 mil com a Triton Consultoria. Também pagou R$ 420 mil com advogados, além de R$ 100 mil para produzir um botton de Lula com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em quinto lugar, está o candidato Renan Santos (Missão), que gastou mais com gráfica (R$ 292,6 mil), impulsionamento de conteúdo (R$ 190 mil), agência de viagens (R$ 165,9 mil), advogados (R$ 125 mil), além de R$ 65 mil com contabilidade. Ao todo, sua campanha custou R$ 1,3 milhão até agora.