"Começa uma nova era, uma mudança de ordem, a pátria milagre", afirmou nesta segunda-feira (22) Abelardo de la Espriella a milhares de pessoas que o escutaram falar de uma cápsula de vidro à prova de balas em Barranquilla, cidade no litoral da Colômbia. Leia mais (06/22/2026 - 22h44)

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22.jun.2026 às 22h44

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"Começa uma nova era, uma mudança de ordem, a pátria milagre", afirmou nesta segunda-feira (22) Abelardo de la Espriella a milhares de pessoas que o escutaram falar de uma cápsula de vidro à prova de balas em Barranquilla, cidade no litoral da Colômbia.

O advogado se referia à sua vitória horas antes, na noite de domingo (21), na corrida presidencial. O tom autocongratulatório não é fruto de uma comoção momentânea após derrotar seu adversário, o senador de esquerda Iván Cepeda, por menos de um ponto percentual. É uma marca pessoal.

Antes de se aventurar na Presidência da Colômbia, que será a sua primeira experiência em um cargo público da vida, Espriella foi empresário nos ramos de imóveis, roupas e bebidas, figurinha carimbada em programas de opinião com o estilo agressivo que conquistou metade do eleitorado do país e até mesmo cantor amador —em 2021, ele lançou o primeiro de seus dois álbuns, "De Mi Alma Italiana".

Na vida política, o estilo hiperbólico de Espriella é facilmente detectável em um de seus comícios. Atrás dele, telões gigantes alternam entre imagens do rosto do candidato e de um tigre, animal ao qual se associou durante a campanha. À sua frente, shows de pirotecnia iluminam o palco. No céu, drones formam um desenho do político prestando continência.

O advogado de 47 anos nasceu em 31 de julho de 1978 em Bogotá, mas cresceu em Montería, no litoral caribenho da Colômbia —o que explica a sua ligação com o local onde comemorou a vitória. Contra a sua vontade, mas a pedido do pai, estudou direito na Universidade Sergio Arboleda, na capital, e, em 2002, fundou o seu escritório, o De La Espriella Advogados.

Ali, como advogado penalista, pegou casos controversos, mas midiáticos. O que o lançou à fama na Colômbia, por exemplo, foi o da defesa de David Murcia Guzmán, criador de um esquema de pirâmide que lesou mais de 200 mil pessoas no país.

Outros clientes voltariam para assombrá-lo ao longo da campanha. O mais polêmico de todos é Alex Saab. O empresário venezuelano condenado por lavagem de dinheiro e atualmente preso nos Estados Unidos é acusado por Washington de ser um laranja do ditador Nicolás Maduro, deposto em janeiro na invasão americana em Caracas.

Duas décadas após sua criação, o escritório De La Espriella Advogados declarou um patrimônio de cerca de US$ 10,5 milhões, e o candidato se orgulha de ter um jato particular, ostentar relógios de luxo, ir à Itália comprar roupas uma vez por ano e manter casas fora do país. Seu sucesso financeiro, aliás, é apresentado como credencial suficiente para gerir o país.

O importante, disse em uma entrevista à agência de notícias AFP, é que "a principal empresa do país, que é o Estado, seja gerida por pessoas que tenham feito riqueza em sua vida". "Cepeda alguma vez geriu ao menos uma pequena loja? Eu geri empresas, e empresas de sucesso", afirmou.

Uma investigação do site colombiano La Silla Vacía, no entanto, conta outra história. De acordo com o portal, seu principal grupo de empresas na Colômbia encerrou 2024 com um prejuízo líquido de mais de US$ 46 mil (mais de R$ 236,4 mil), e outros empreendimentos ligados ao seu nome no ramo de roupas, bebidas e comunicação tampouco dão lucro —ao contrário do seu lucrativo escritório de advocacia.

Procurado pelo site, Espriella não respondeu aos questionamentos sobre suas companhias e, a respeito de sua lista de clientes, costuma dizer "defender um criminoso não te transforma em um criminoso".

Esse dado da realidade em relação aos seus empreendimentos importa menos para a sua campanha, focada em despertar emoções em um país marcado pela violência política e travada contra um filósofo que costuma ler seus discursos para apoiadores.

Entre suas propostas estão construir megapresídios abaixo da terra em que os detidos serão alimentados "com pão e água", acabar com instituições do Acordo de Paz com as Farc e aumentar a repressão contra as guerrilhas dissidentes do grupo armado.

"Senhores da esquerda, em mim vocês terão um inimigo implacável que fará tudo o que for possível para estripá-los", afirmou a uma rádio local antes do primeiro turno.