O primeiro dia de funcionamento da ciclofaixa de lazer destinada a veículos autopropelidos na orla da Zona Sul do Rio foi marcado por dúvidas entre usuários e orientações dos agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop). Na manhã deste domingo (30), ciclistas e condutores foram abordados para entender as novas regras de circulação e, em alguns casos, tiveram os equipamentos submetidos a testes de velocidade, numa blitz montada na altura do posto 11, Copacabana tambe?
O primeiro dia de funcionamento da ciclofaixa de lazer destinada a veículos autopropelidos na orla da Zona Sul do Rio foi marcado por dúvidas entre usuários e orientações dos agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop). Na manhã deste domingo (30), ciclistas e condutores foram abordados para entender as novas regras de circulação e, em alguns casos, tiveram os equipamentos submetidos a testes de velocidade, numa blitz montada na altura do posto 11, Copacabana também recebeu uma estrutura de orientação. Por enquanto, a fiscalização tem caráter educativo e não há aplicação de multas. A partir de 1º de novembro, porém, quem estiver fora das normas poderá ser multado e até ter o equipamento apreendido.
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A nova ciclofaixa tem 7,2 quilômetros de extensão e funciona aos domingos e feriados, das 8h às 16h. O espaço ocupa uma faixa de rolamento da pista de veículos junto ao canteiro central, passando pelas orlas do Leblon, na Avenida Delfim Moreira; de Ipanema, na Avenida Vieira Souto; e de Copacabana, na Avenida Atlântica, além da Rua Francisco Otaviano. Durante a operação, a faixa é destinada exclusivamente à circulação de veículos autopropelidos.
Nos dias de funcionamento, o trânsito de veículos é interditado das 7h às 17h em trechos das avenidas Delfim Moreira e Vieira Souto, na faixa junto ao canteiro central; da Rua Francisco Otaviano, em uma faixa ao lado da ciclovia existente; e da Avenida Atlântica, também na faixa junto ao canteiro central, entre a Avenida Rainha Elizabeth e a Rua Prado Júnior. Também fica proibido estacionar nos canteiros centrais das avenidas Delfim Moreira e Vieira Souto, das 7h às 17h, aos domingos e feriados.
A criação da ciclofaixa tem como objetivo ampliar a capacidade da infraestrutura cicloviária da região e oferecer mais espaço para quem utiliza a orla para deslocamentos, caminhadas e atividades esportivas. Nos trechos que não fazem parte da operação, os autopropelidos continuam autorizados a circular pela infraestrutura cicloviária permanente.
A manhã de estreia, no entanto, mostrou que ainda há dúvidas entre os próprios usuários sobre as regras. O corretor de imóveis Sérgio Oliveira, morador da Gávea, utiliza um autopropelido com frequência para se deslocar pela Zona Sul. O veículo também é usado durante o trabalho, nas visitas aos imóveis que realiza pela região. Para ele, o principal problema é a falta de clareza sobre o que será exigido dos condutores e a expectativa de que as regras tenham continuidade.
— Contanto que exista uma consistência, porque tudo o que aconteceu até então é: “Ah, vai acontecer, vão aprender”. Agora tem esteira, controlador de velocidade. Porque aí daqui a pouco tudo passa e volta tudo à mesma coisa. Então, contanto que tenha uma consistência, eu acho ótimo. É confuso, inclusive, para as pessoas, para os usuários entenderem. Essa fiscalização aqui vai ser todo domingo e feriado?. Porque vai estar essa galera toda aqui, aí semana que vem não tem mais ninguém. Também não pode virar uma encheção de saco, porque toda hora que você vai sair de bike, você é parado. Aí daqui a pouco a gente vem: “Será que vai ter hoje? Será que não vai ter?”. Então, a inconsistência é o que perturba — afirmou.
Já a moradora de Ipanema Geovana Simões, que também foi abordada durante a manhã, espera que a medida além de dar certo de que seja ampliada para outras regiões da cidade. Ela estava com o filho, de 8 anos, quando um agente da Ordem Pública verificou se o autopropelido utilizado por ela estava dentro dos parâmetros previstos. O equipamento foi considerado regular.
Para Geovana, a criação da ciclofaixa representa uma mudança positiva, principalmente para quem utiliza esse tipo de veículo com crianças e precisa circular pela região.
— Como os autopropelidos chegavam a 30 km por hora, era igual à bicicleta elétrica, porque a bike elétrica podia andar na ciclovia e eles não. Se eles tinham a mesma velocidade máxima, fazia muito sentido. Aí você imagina a gente com criança pequena, com o cachorro, ter que andar no meio da rua, competindo com ônibus, motocicleta. Não dá. A gente mora aqui em Ipanema e meu filho estuda na Gávea, então tem nossa vida aqui. Facilita muito. Hoje em dia, não dá para brincar quando o assunto é segurança. Espero que essa ciclofaixa também seja ampliada — relatou.
Nem todos os usuários abordados, porém, conheciam as regras. O turista mineiro Lucas Santos foi surpreendido durante a fiscalização ao utilizar um autopropelido que, segundo a medição feita pelos agentes, alcançou 52 km/h. Ele contou que havia pegado o equipamento emprestado com um amigo, com quem estava hospedado em Ipanema.
— Não sabia de nada disso. Vou voltar e avisar a ele que o veículo está fora do padrão — disse.
Outro usuário que ficou apreensivo ao ser abordado foi Daniel Sakaki, que estava trafegando na ciclofaixa com a cadela dele. Apesar da situação, o equipamento dele estava dentro do padrão.
—Quando comprei o vendedor disse que era de 32 km/h, mas a gente tem visto tanta irregularidade que ficamos preocupados com o resultado. Mas ainda bem que bateu tudo certo— declarou.
A velocidade máxima dos equipamentos é um dos principais pontos da fiscalização. De acordo com o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, a regulamentação estabelece que bicicletas elétricas e autopropelidos não podem sair de fábrica com velocidade superior a 32 km/h. A prefeitura passou a utilizar um dinamômetro, equipamento desenvolvido para aferir a velocidade dos veículos, durante as abordagens.
Segundo Belchior, a fiscalização educativa seguirá até 31 de outubro. A partir de novembro, as irregularidades poderão resultar em autuações, multas e apreensão dos equipamentos.
— Até o dia 31 de outubro, a Prefeitura do Rio vai continuar a fazer essas fiscalizações de maneira educativa, mas, a partir de novembro, sim, a gente vai infracionar, a gente pode multar, a gente pode chegar até a apreender esses equipamentos, que muitos deles são até adulterados — afirmou.
O secretário citou como exemplo um equipamento que apresentava 32 km/h no velocímetro, mas atingia 68 km/h no dinamômetro utilizado pela prefeitura.
— Isso claramente é um equipamento adulterado. Esses equipamentos são um exemplo claro de apreensões que a prefeitura vai começar a fazer a partir de novembro. A gente está distribuindo, está ordenando esse espaço para que todos possam aproveitar da nossa orla de maneira segura. Então, o decreto da prefeitura, pelo contrário, traz mais segurança. E a prefeitura está fazendo ações educativas, porque a resolução é confusa, é enrolada, o cidadão não sabe — disse, airmando ainda que a fiscalização não ficará restrita à ciclofaixa da Zona Sul nem aos domingos e feriados.
Ainda de acordo com o secretário, a partir desta segunda-feira (31), equipes deverão realizar operações itinerantes em diferentes pontos da cidade e em horários variados, tanto na malha viária quanto na infraestrutura cicloviária.




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