Segundo relatório da PF, Go Up Entertainment pagou R$ 136,8 mil de cartão de crédito de Frias e R$ 11,2 mil de hospedagens para o deputado em 2025

Compartilhar matériaSegundo dados da Polícia Federal, a produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pagou hospedagens do deputado Mário Frias (PL-SP) e faturas do cartão de crédito do parlamentar.

De acordo com o documento, a Go Up Entertainment pagou cerca de R$ 136,8 mil de cartão de crédito de Frias e R$ 11,2 mil de hospedagens para o deputado em 2025.

Frias é roteirista de Dark Horse e se tornou alvo da PF (Polícia Federal) por suspeitas de desviar emendas parlamentares para a produção do filme. A sócia da Go Up, Karina Gama, também se tornou alvo da PF por aparecer assinando os contratos da empresa.

Foram 4 faturas pagas de cartões de Frias: agosto, setembro, outubro e novembro. Outros três pagamentos de hospedagens foram realizados de 28 de outubro a 10 de novembro de 2025. As gravações de "Dark Horse" aconteceram entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.

A reportagem entrou em contato com Frias e a Go Up, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.

Em nota, a defesa de Karina Gama negou que a produtora tenha praticado qualquer ilícito e afirmou que ela continuará colaborando com as autoridades responsáveis pelas investigações. Os advogados também disseram considerar positiva a retirada do sigilo do caso e afirmaram que Karina "não teme transparência".

Neste domingo (13), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o levantamento do sigilo das investigações a respeito do caso Dark Horse. A apuração conduzida pela Polícia Civil de São Paulo envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.

Em resposta à decisão, a defesa de Karina afirmou ter recebido "com absoluto respeito" a determinação de Dino e disse que a medida permitirá que os fatos sejam examinados de forma objetiva.

"Quem já apresentou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentação não teme transparência", afirmou a defesa.

Segundo os advogados, Karina sustenta "desde o primeiro momento" que "não praticou qualquer ilícito". A defesa também afirmou que a produtora seguirá colaborando com as autoridades e destacou que "investigação não é acusação, muito menos, condenação".

Leia a nota completa:

"A defesa da Sra. Karina Gama recebe com absoluto respeito e considera positiva a decisão do Ministro Flávio Dino de levantar o sigilo sobre os elementos da investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e contrato celebrado com a Prefeitura de São Paulo.

A transparência interessa à Justiça, à sociedade e, sobretudo, à própria defesa.

Quem já apresentou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentação não teme transparência.

Desde o primeiro momento, a Sra. Karina Gama tem sustentado, de maneira firme e inequívoca, que não praticou qualquer ilícito.

A defesa confia que a plena exposição dos fatos demonstrará que a Sra. Karina Gama não pode ser transformada em culpada pela intensa efervescência da vida nacional, em um momento de extraordinária agitação e movimentação política.

Investigar é legítimo. Esclarecer é do interesse de todos. Mas investigação não é acusação, muito menos, condenação e a repercussão política jamais poderá substituir o devido processo legal.

Por essa razão, a defesa nada tem a opor quanto à transparência e ao levantamento do sigilo.

Ao contrário, deseja que o Brasil tenha acesso à realidade integral dos acontecimentos e que cada documento, contrato, pagamento e circunstância seja examinado tecnicamente, dentro da legalidade e sem contaminação por disputas políticas ou narrativas previamente construídas.

A Sra. Karina Gama continuará colaborando com as autoridades competentes e exercendo, com serenidade, seu direito constitucional de defesa, convicta de que a verdade dos fatos prevalecerá.