‘As plataformas retiram dos professores a essência da atividade docente: o planejamento, a organização e a condução de suas aulas’

Dados sobre o ensino no País animam e preocupam. São uma espécie de resumo das contradições de um país que cresce sem romper sua imensa desigualdade social. Muitos índices de educação dos jovens melhoraram na última década, mas mais de 7 milhões de jovens não concluíram o ensino médio e estão fora das escolas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de alunos cresce, mas milhões deles concluem o ciclo básico com conhecimentos inferiores aos considerados necessários para agir com autonomia, espírito crítico e iniciativa num mundo em rápidas transformações tecnológicas. Superar essa deficiência exige professores adequadamente preparados. É desolador, no entanto, constatar que são escassas as políticas públicas com esse objetivo e, pior, observar que certas ações do poder público enfraquecem o papel do professor, o que pode comprometer o aprendizado e o futuro do aluno.

Programas para o aperfeiçoamento da docência na rede pública existem. Desde 2007, a Universidade de São Paulo (USP) mantém o programa Encontro USP-Escola, para, como explica, “promover a formação continuada de docentes da educação básica e promover a interlocução entre a universidade e a escola”. Oferecidos nas férias de janeiro e julho, os cursos destinam-se a compartilhar experiências de pesquisa e de sala de aula, por meio de palestras, debates e atividades multiculturais e interdisciplinares em todas as áreas de conhecimento. Segundo os responsáveis pelo Encontro USP-Escola, “o aprendizado é intensificado pela troca entre as vivências e práticas educacionais de docentes e as diferentes propostas desenvolvidas na USP”.