Uma ponte suspensa gigante avança entre aprovações, cálculos extremos e dúvidas sobre como enfrentar uma travessia difícil.

O projeto reúne dimensões recordes e desafios que começam antes da obra

Projeto de 13,5 bilhões terá vão suspenso de 3,3 km e levará 6 mil carros por hora sobre região de terremotos Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

Separadas por um estreito de águas movimentadas, 2 regiões italianas esperam há décadas por uma ligação fixa. O projeto da Ponte sobre o Estreito de Messina voltou ao centro das decisões públicas com uma ponte suspensa gigante. Antes que as torres subam, cálculos de vento, tráfego e atividade sísmica precisam sustentar cada escolha.

A ponte pretende ligar a Sicília à Calábria, no sul da Itália. Ela atravessará o Estreito de Messina e permitirá a circulação de carros e trens entre a ilha e o continente.

O valor estimado de € 13,532 bilhões cobre um conjunto maior que a estrutura suspensa. Segundo o projeto definitivo da Stretto di Messina, entram na conta a ponte, cerca de 40 km de conexões rodoviárias e ferroviárias e outras estruturas ligadas à operação.

O principal destaque é o vão central suspenso de 3.300 metros, distância entre as torres sem apoio dentro da água. Caso seja construído conforme o desenho, ele superará os vãos suspensos existentes.

As características técnicas publicadas pela empresa do projeto incluem:

O tabuleiro terá espaços separados para rodovia, ferrovia e serviços. A capacidade máxima anunciada chega a 6 mil veículos por hora e 200 trens por dia.

O projeto prevê uma altura livre de até 72 metros em uma faixa de 600 metros, permitindo a passagem de embarcações pelo estreito.

O desenho usa a flexibilidade da estrutura suspensa e fundações profundas para responder aos movimentos do solo. A área ficou marcada pelo terremoto que atingiu Messina em 1908.

A Stretto di Messina afirma que o projeto considera um terremoto de magnitude 7,1. A empresa também declara que o perfil aerodinâmico do tabuleiro foi calculado para ventos de até 216 km/h.

Esses valores representam parâmetros de projeto. A segurança final dependerá da execução, dos materiais, das verificações independentes e da manutenção durante a vida da estrutura.

Leia também: Rio artificial com mais de 145 km construído para levar água a uma das áreas mais secas da região deixa cientistas e engenheiros incrédulos

A ponte ainda precisa superar etapas administrativas e avançar no projeto executivo antes da construção principal. O projeto definitivo recebeu aprovação do CIPESS em 2025, mas decisões posteriores do Tribunal de Contas exigiram ajustes.

Em 2026, o Ministério das Infraestruturas confirmou os recursos, e novos atos seguiram em análise. Por isso, dimensões, capacidade e prazo continuam sendo dados previstos no projeto.

A travessia permanece no papel técnico antes de se tornar parte da paisagem.