Projeto de US$ 1 bilhão do cineasta George Lucas vira museu em Los Angeles

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Numa galáxia nada, nada distante, recortada pelas autovias de concreto de Los Angeles, uma nave espacial parece ter pousado para abrigar a coleção de arte do bilionário George Lucas, criador da saga intergaláctica "Star Wars" e da série "Indiana Jones".

O Lucas Museum of Narrative Art, com design futurístico do arquiteto chinês Ma Yansong, abre para o público no dia 22 de setembro, após oito anos em construção e um orçamento de US$ 1 bilhão, bancado pelo próprio diretor.

"Estou acostumado a fazer o impossível, mas isso aqui [o museu] quase me fez perder a vontade", diz Lucas. Foram 17 anos lidando com burocracias para tirar o museu do papel. San Francisco e Chicago rejeitaram as propostas do projeto.

Lucas diz que o museu será "um templo para arte popular", com destaque para formas artísticas pouco festejadas por museus tradicionais, como histórias em quadrinhos, ilustrações de livros infantis, murais públicos e muito mangá. "Star Wars" tem uma galeria, mas não é o foco.

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O diretor e filantropo americano, que vendeu sua produtora LucasFilm para a Disney por US$ 4 bilhões em 2012, começou sua coleção de arte nos anos 1970 com a compra de uma tirinha assinada pelo cartunista V. T. Hamlin da série "Alley Oop", sobre um homem das cavernas. No Brasil, foi publicada como "Brucutu". Os desenhos estão numa galeria dedicada a histórias em quadrinhos, com Charles M. Schulz, criador do Snoopy, Jim Davis, do Garfield, além de Robert Crumb e Moebius.

Para os fãs de "Star Wars", uma ala é toda dedicada aos seis primeiros filmes da franquia, com destaque para os veículos. Um deles, usado pelo General Grievous em "Star Wars: Episódio 3 - A Vingança dos Sith", de 2005, existia apenas em computação gráfica, mas foi criado para o museu. Darth Vader, R2D2 e C3PO também dão as caras.

Mas o museu não mergulha mais do que isso no universo George Lucas. Há galerias de arte mais convencionais para os artistas Norman Rockwell e N.C. Wyeth, além de uma seção de fotografia, em que o mineiro Sebastião Salgado aparece com duas fotos, uma delas da série Serra Pelada. O francês JR também traz um pouco do Brasil, com uma foto de sua instalação de grandes olhos colados nas casas do Morro da Providência, no Rio.

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Banksy, conhecido pelo anonimato, veio ao museu deixar uma obra de presente para Lucas e sua mulher, Mellody Hobson. O artista inglês tem meia dúzia de trabalhos expostos na parte dos muralistas, mas a obra nova fica em outro andar, quase escondida. Nela, um leão segura um chicote na boca ensanguentada, com um chapéu preto no chão, provavelmente do domador engolido. Uma obra similar já havia sido exposta numa mostra do artista em Bristol, em 2009.

"Eles simplesmente buscaram concretizar uma visão na qual acreditam, e não ficaram se preocupando se outros museus fazem isso ou não", diz a diretora-executiva Tracey Bates, citando como exemplo o minimalismo das legendas dos trabalhos, sem grandes explicações. "George sempre deixou claro que as imagens devem conduzir as histórias. Se o visitante quiser saber mais, temos um guia digital e um livro."