Presidente Lula em ato de campanha Ricardo Stuckert/Divulgação Como forma de evitar potenciais novos desgastes, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição vem defendendo, nos últimos dias, a saída do ex-secretário-executivo do Ministério d…
Como forma de evitar potenciais novos desgastes, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição vem defendendo, nos últimos dias, a saída do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa, que está atualmente no gabinete presidencial. A avaliação é que o governo precisa se blindar de possíveis impactos ao chefe do Executivo, o que incluiria afastar eventuais envolvidos no caso de desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Berger, como é conhecido, foi o número dois do Ministério da Saúde durante a gestão de Nísia Trindade. Com a demissão da ministra, no começo de 2025, ele passou a integrar o gabinete pessoal do presidente no Palácio do Planalto.
Nesta semana, contudo, foram divulgadas mensagens, que estão sob análise da Polícia Federal (PF), entre a empresária Roberta Luchsinger e o empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. No decorrer dessa troca de mensagens, eles mencionam o nome de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Berger, que estava na Saúde. Uma das suspeitas da PF envolve contrato com a pasta para comercialização de cannabis medicinal. O negócio, no entanto, não se concretizou.
Marcola deixou o cargo como chefe de gabinete do presidente em julho para trabalhar na coordenação da campanha à reeleição do presidente, mas se afastou da função no início deste mês quando vieram à tona informações de que recebeu dinheiro de Roberta. Porém, internamente, ainda há uma avaliação de que a permanência de Berger no cargo pode gerar ainda mais desgastes ao governo.
Isso porque o envolvimento crescente de pessoas próximas a Lula em investigações da PF sobre o caso de desvios do INSS se tornou a maior preocupação da campanha à reeleição. Mesmo com o afastamento de Marcola, o ex-secretário-executivo da Saúde ainda é visto como uma espécie de ponta solta na gestão petista, e a campanha defende seu desligamento da função para blindar Lula. Segundo apurou o Valor, Berger já explicou a situação a pessoas do governo e disse não ter apego ao cargo e, portanto, se houver uma determinação pela sua demissão, ele sairá.
Segundo apuração, a avaliação interna do Executivo é que não apareceu algo concreto contra o ex-secretário nem evidências que mostrem uma eventual colaboração no esquema entre Roberta e Lulinha. Interlocutores ainda citam uma relação de décadas entre Berger e o chefe do Executivo e negam constrangimento entre os dois após a divulgação das mensagens.
O que mais preocupa sobre as investigações é o timing, já que acontece a menos de dois meses do primeiro turno. Até então, dizem, a equipe do presidente vinha conseguindo blindá-lo em relação ao envolvimento de Lulinha no caso. O filho do chefe do Executivo é citado em três inquéritos sobre tráfico de influência. Dois estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e um é relatado por Flávio Dino.




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