O PT oficializou hoje a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo em um evento em Campinas, no interior paulista, com a presença do presidente Lula.O que aconteceuVice do petista será Márcio França (PSB). Além deles, Marina Silva (Rede) e
O PT oficializou hoje a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo em um evento em Campinas, no interior paulista, com a presença do presidente Lula.
Vice do petista será o ex-ministro e ex-governador paulista Márcio França (PSB). Além deles, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) foram oficializadas como candidatas ao Senado por São Paulo. A definição por França na vice ficou a cargo de Haddad. O nome dele já era defendido por uma ala do PT e era o preferido de Lula para a posição.
Discursos criticaram privatizações realizadas na gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Citando a Sabesp, o Metrô e CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Haddad avaliou que os processos foram "feitos a toque de caixa" e "entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade". O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador paulista, fez uma referência às "marteladas" de Tarcísio após os leilões de privatização, e o tema também apareceu nas falas de França, Marina e Tebet.
São Paulo não quer a arrogância das marteladas. Essas marteladas do atual governador trincaram as principais vitrines do estado. A privatização da Sabesp teve uma concorrente, com preço abaixo. Precisa ser investigado. Como pode uma das maiores empresas do mundo com 28 milhões de usuários ter um único concorrente? Geraldo Alckmin, vice-presidente
Um incêndio em um trem causou a derrubada da energia elétrica nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade na quinta-feira (23). O problema aconteceu três dias após a Trivia Trens assumir a concessão dessas linhas e fez com o que o governo paulista determinasse que a CPTM retome a operação dos ramais por 90 dias.
Privatizações mal feitas põem em risco a população de São Paulo. Olha a Sabesp hoje entregando água barrenta, quando entrega água. Olha o que aconteceu com o trem privatizado em São Paulo colocando em risco a vida das pessoas com incêndio em vagão, que nunca havia acontecido no passado. Simone Tebet, candidata ao Senado
Em seu discurso, Haddad também ressaltou o aumento no número de feminicídios no estado. O Brasil registrou 746 vítimas de feminicídio entre janeiro e junho deste ano, queda de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados do Ministério da Justiça, no entanto, nove estados, entre eles São Paulo, registraram aumento (10,1%) no número de casos no período. Foram 129 vítimas.
Nós não estamos numa situação normal. O feminicídio caiu 2,5% no Brasil e aumentou 10% em São Paulo. E tudo passa em brancas nuvens, ninguém cobra providência, ninguém cobra satisfação, de um governo que está a dois meses da eleição. Nosso papel é liderar uma campanha cívica para recuperar e restituir São Paulo para os paulistas. Não é possível que esse estado fique abandonado dessa maneira. Esse estado que já foi vitrine de políticas públicas, as mais importantes do país, hoje fica ao Deus dará. Fernando Haddad, candidato ao governo de SP
Haddad ainda criticou honraria de Tarcísio a Javier Milei, presidente da Argentina. Milei está no Brasil e participou da convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Antes, ele foi condecorado pelo governador de São Paulo com a Ordem do Ipiranga, a principal honraria do estado.
Disputando o quê com o Tarcísio? Dar uma medalha pro Milei, que tem 30% de aprovação e está dando carne de burro para a população da Argentina comer? O que nós estamos disputando? Fernando Haddad
Local escolhido para convenção faz aceno ao eleitor do interior, onde Haddad teve desempenho ruim nas eleições de 2022. Tarcísio venceu em 566 municípios do estado, principalmente no litoral e interior. Já o petista foi o mais votado em 78 cidades, incluindo a capital e municípios região metropolitana, como Osasco, Carapicuíba, Mauá e Diadema.
Candidatura de Haddad em São Paulo é estratégica para reeleição de Lula. Inicialmente resistente a entrar na disputa, o ex-ministro da Fazenda aceitou o pedido do presidente, que considera importante ter palanque forte no estado com a maior população do país — ainda que Tarcísio seja favorito para vencer em outubro, de acordo com as pesquisas.
Foi Lula quem convenceu Haddad a ser candidato. O ex-ministro tinha verbalizado publicamente que não gostaria de concorrer e que preferia coordenar o programa de governo do presidente. O PT avalia que o desempenho de Haddad em 2022, quando teve 44,73% dos votos válidos na eleição para governador em 2º turno, foi essencial para garantir a vitória de Lula contra Jair Bolsonaro (PL). A expectativa do partido é que o ex-ministro tenha desempenho semelhante em 2026.
O presidente elogiou a biografia de seu candidato, dizendo que o estado pode ser "muito maior" com ele. "Haddad é uma pessoa exemplar. Conheço poucas pessoas com o grau de lealdade, companheirismo e capacidade de trabalho que tem o companheiro Haddad. São Paulo tem uma chance de colocar o melhor ministro da Educação para ser governador de São Paulo. Colocar o melhor ministro da Economia", disse. "A biografia dá de 10 a 0."
Última pesquisa Datafolha, de 13 de julho, aponta Tarcísio na liderança com 46% das intenções de voto. Haddad tem 30%, seguido por Vera Lúcia (PSTU), com 5%, Vivian Mendes (UP), com 4%, e Carlos Machado (PCB), com 4%. Brancos ou nulos são 8% e indecisos, 3%.
O PT nunca venceu uma eleição para o governo de SP. O partido já emplacou três prefeitos na capital: Luiza Erundina (1989-92), Marta Suplicy (2001-04) e o próprio Haddad (2013-16). O partido, no entanto, sempre teve dificuldades no interior, que tem eleitorado mais conservador.
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