Raquel Lyra e João Campos - Yacy Ribeiro/Divulgação | Edson Holanda/Divulgação Para quem defende que política e religião não se misturam, a Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25) sobre a disputa pelo governo de Pernambuco prova precisamente o contrário.

Os recortes e a evolução dos números demonstram que esses assuntos estão no centro do debate com potencial de decidir a corrida ao Palácio do Campo das Princesas, pautando as estratégias das duas mais bem pontuadas candidaturas, da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).

Indecisos em alta Na intenção estimulada de primeiro turno desse último levantamento da Quaest, Raquel Lyra aparece com 44%, contra 36% de João Campos. Contudo, quando os nomes não são apresentados ao eleitor (espontânea), Raquel tem 33%, João Campos 22%. 

“É como se ela fosse mais conhecida que João, o que deve ser resultado do eleitorado fora da capital. Isto leva a entender uma coisa que depois se corrige. Já que há 40% de indecisos enquanto espontâneos", aponta o cientista político Alvaro Azevedo Neto. A eleição ainda não está cristalizada na cabeça de uma parcela enorme do eleitorado.Isso significa que a eleição está ainda longe de ser decidida”, avalia.

O levantamento entrevistou 1.302 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro foi estimada de 3 pontos percentuais, dentro do nivel de confiança de 95%.

Religião No recorte da religião, Raquel Lyra lidera nos dois grupos religiosos (católicos e evangélicos), mas sua vantagem é muito maior entre os evangélicos — 53% a 30% sobre João Campos — do que entre os católicos, onde marca 44% a 38%. No segundo turno, são 51% a 34% entre evangélicos e 47% a 38% entre católicos. 

“Isso permite uma leitura política importante: João Campos enfrenta uma dificuldade particular entre os evangélicos, justamente o segmento em que Lula também encontra maior resistência. Mas o problema de João não se limita a eles: mesmo entre os católicos — segmento eleitoral muito mais favorável a Lula — ele não consegue, até agora, reproduzir no plano estadual a vantagem do atual presidente”, comenta o cientista político.

Segundo Alvaro Neto, o recorte religioso acompanha a tendência nacional.

“Tratam-se das mesmas pessoas. Acredito que ainda há muito tempo de campanha para que os resultados mudem, pode ser pouco ou muito. Tudo vai depender da campanha de João Campos, que aparentemente vem sendo bem tímida em termos de capacidade de produzir uma reação eleitoral”, avalia.

Política O eleitorado declarado de Raquel se concentra fortemente a direita, mas João não consegue o mesmo desempenho com o eleitor de esquerda. A governadora captura praticamente um terço dos lulistas (32%) e quase quatro em cada dez eleitores da esquerda não lulista (38%). João, em contrapartida, tem apenas 12% na direita não bolsonarista e 19% entre os bolsonaristas, destaca o especialista.

“Isto vem do fato que João Campos domina entre os lulistas, com 55% contra 32% de Raquel, mas essa diferença diminui muito entre os eleitores de esquerda não lulistas: 45% para João e 38% para Raquel”, aponta. “Entre os independentes, a situação é inversa: Raquel 44% contra 30% de João. Já à direita, a vantagem da governadora é muito ampla: 75% a 12% entre os eleitores de direita não bolsonarista e 65% a 19% entre os bolsonaristas”. 

Esses números, de acordo com o cientista político, ajuda a explicar o comportamento do eleitorado bolsonarista em Pernambuco “Existe uma aproximação eleitoral de setores bolsonaristas com a candidatura de Raquel, mas não há uma declaração formal de apoio dela ao bolsonarismo. Ela se diz neutra e defensora dos interesses de Pernambuco. Mas Existe uma aproximação grande entre os eleitores de Flávio [Bolsonaro] e os dela”, frisa Alvaro.