Um estudo publicado em 2026 na revista científica Biosensors and Bioelectronics: X mediu pela primeira vez com sensores a quantidade de gases que um adulto saudável solta por dia e chegou a um número que surpreendeu até os pesquisadores: 32 vezes, em média. Estudos anteriores estimavam entre 8 e 20 episódios diários. A diferença mostra... The post Quantos puns um adulto saudável solta por dia? appeared first on O Antagonista .

Número médio de gases liberados por adulto saudável por dia

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Um estudo publicado em 2026 na revista científica Biosensors and Bioelectronics: X mediu pela primeira vez com sensores a quantidade de gases que um adulto saudável solta por dia e chegou a um número que surpreendeu até os pesquisadores: 32 vezes, em média. Estudos anteriores estimavam entre 8 e 20 episódios diários. A diferença mostra que soltar gases é ainda mais normal e frequente do que se imaginava.

A equipe da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, desenvolveu uma roupa íntima equipada com sensores químicos capaz de detectar a liberação de hidrogênio pelo corpo ao longo do dia. Os voluntários usaram a peça por 24 horas seguidas, e os sensores registraram cada episódio de forma contínua e sem interferência do próprio usuário.

O projeto faz parte de uma iniciativa maior chamada Human Flatus Atlas, que pretende criar um banco de dados global sobre os padrões normais de flatulência em diferentes populações. O pesquisador Brantley Hall explicou que, sem um valor de referência confiável, é impossível saber quando a produção de gases de uma pessoa é realmente excessiva ou apenas dentro do esperado.

Bastante. No mesmo estudo, os participantes variaram entre 4 e 59 episódios por dia, todos considerados dentro de uma faixa saudável. Isso mostra que não existe um número fixo que valha para todo mundo, e que comparar a própria flatulência com a de outra pessoa não faz muito sentido.

Outra pesquisa publicada no American Journal of Gastroenterology já havia apontado que a faixa normal fica entre 8 e 20 episódios diários. O estudo de 2026 ampliou esse entendimento ao mostrar que o número real pode ser bem maior, especialmente dependendo da dieta e da composição das bactérias intestinais de cada um.

Veja os principais fatores que influenciam a quantidade de gases produzidos:

A maior parte dos gases intestinais não tem cheiro nenhum. Eles são compostos principalmente por nitrogênio, hidrogênio, dióxido de carbono e metano, todos inodoros. O cheiro vem de uma fração pequena que contém compostos de enxofre, como o sulfeto de hidrogênio, produzido quando as bactérias digerem alimentos ricos em proteína, como carnes, ovos e alguns vegetais.

Por isso, alguém que come muita proteína tende a ter gases menos frequentes, mas com cheiro mais intenso. Já quem come muita fibra tende a ter mais episódios ao longo do dia, mas com gases menos fétidos. A composição das bactérias intestinais também muda muito o resultado: algumas espécies produzem mais enxofre do que outras.

Um estudo conduzido por pesquisadores britânicos mediu o volume total e encontrou uma faixa entre 476 ml e 1.491 ml por dia, o equivalente a entre meio litro e um litro e meio de gás. Isso varia muito conforme a dieta do dia e a composição da microbiota de cada pessoa.

No estudo da Universidade de Maryland, metade dos voluntários recebeu suplementos de fibra durante a pesquisa. Esse grupo produziu significativamente mais hidrogênio, confirmando que a alimentação é o fator que mais muda a produção de gases no curto prazo.

O volume e a frequência sozinhos raramente indicam doença. O que chama atenção médica é quando os gases vêm acompanhados de outros sintomas. Dor abdominal forte, diarreia persistente, sangue nas fezes, febre, náusea ou perda de peso sem explicação são sinais de que vale consultar um médico.

Algumas condições comuns associadas ao excesso de gases com desconforto são a síndrome do intestino irritável, a intolerância à lactose, a doença celíaca e a constipação crônica. Mas vale lembrar: soltar muitos gases sem qualquer desconforto ou sintoma adicional não é motivo de preocupação. É, na maioria das vezes, apenas o intestino funcionando bem.

Sim, e os ajustes são simples. Comer devagar, mastigar bem e evitar falar muito durante as refeições já reduz bastante o ar engolido. Deixar o feijão de molho antes de cozinhar diminui os carboidratos fermentáveis. Beber água ao longo do dia e caminhar regularmente ajudam o intestino a funcionar com mais fluidez.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal reforça que a atividade física estimula os movimentos intestinais e facilita a eliminação de gases de forma mais regular, reduzindo o acúmulo e o desconforto. Cortar alimentos nutritivos como feijão e brócolis da dieta só para diminuir os gases não é recomendado: o prejuízo para a saúde costuma ser maior do que o incômodo que se quer evitar.