Investigados são um sócio oculto preso, o responsável técnico foragido, uma sócia e uma servidora municipal

Compartilhar matériaQuatro envolvidos podem responder por homicídio com dolo eventual após o desabamento que matou seis pessoas na zona Leste de São Paulo, no último sábado (12). A informação foi divulgada pela polícia em coletiva e confirmada em nota pelo Governo nesta terça-feira (15).

De acordo com a pasta, pode haver o indiciamento dos indivíduos após o descumprimento de uma decisão que solicitava a demolição de um prédio anterior que possuía risco de desabamento. Apenas com essa ação que o edifício destruído no fim de semana passado teria liberação para ser construído.

Segundo a polícia civil, um dos investigados, apontado como sócio oculto de uma das construtoras do empreendimento, está preso. O filho dele, que era o responsável técnico pela obra, é considerado foragido, uma sócia de outra empresa envolvida também é procurada pela polícia.

Segundo a delegada Deidiene Fialho Costa Éboli, a decisão pela prisão levou em consideração o fato de os investigados não terem se apresentado espontaneamente para prestar esclarecimentos. Além disso, a polícia considerou o risco de fuga e de destruição de possíveis provas.

Uma servidora municipal que atestou a demolição da estrutura existente no local prestou depoimento nesta terça-feira (15). Ela também é uma das investigadas.

As autoridades investigam ações e omissões que podem ter contribuído para as mortes. A apuração policial deve investigar pessoas que participaram da construção, das vistorias e dos processos de autorização e liberação do imóvel.

Até o momento, ao menos três empresas relacionadas ao empreendimento foram identificadas, incluindo uma que teria sido responsável pela obra até 2024.

Além da investigação sobre as mortes, a Polícia Civil apura suspeitas de estelionato relacionadas à venda de apartamentos e terrenos ligados às construtoras. Segundo os investigadores, mais de dez pessoas relataram prejuízos patrimoniais.

Ao todo, quatro inquéritos foram instaurados no 10º Distrito Policial (Penha) para apurar os casos. Embora as autoridades tenham identificado boletins de ocorrência anteriores, muitas das vítimas não chegaram a formalizar a representação.

Testemunhas procuraram a delegacia na segunda-feira (14) e relataram que o homem preso teria atuado como sócio oculto dos negócios, com participação na aquisição e venda de imóveis e terrenos, além de poder de decisão.

O desabamento do prédio de 12 andares sobre uma residência na rua Tequici, no bairro da Penha, zona Leste de São Paulo, matou seis pessoas na madrugada de sábado (12). As vítimas são três mulheres, uma delas grávida, dois homens e uma criança.

Um homem e uma criança foram localizados com vida e atendidos por equipes médicas.