Aos 24 anos, Ana Flávia Graciolli, do restaurante Broca, em São Paulo, é uma das 15 finalistas latino-americanas da S.Pellegrino Young Chef Competition
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A cozinha de Ana Flávia Batista Graciolli começou muito antes da formação profissional ou das experiências em restaurantes de São Paulo.
Em Avaré, no interior paulista, a chef cresceu cercada por receitas que reuniam a família em torno da mesa. Entre as lembranças mais presentes estão as preparações da avó Etelvina, especialmente a sopa de milho e o doce de leite feito lentamente no fogão.
Hoje, aos 24 anos, essas memórias ajudam a orientar o trabalho de uma cozinheira que começa a ganhar espaço no cenário gastronômico.
“Tenho memórias de sempre esperar com muita expectativa a comida da minha avó Etelvina, o cheiro da comida se espalhava pela casa, como um convite que dizia ‘já está pronto, vem almoçar’”, conta.
Ela também se recorda das horas em que a avó permanecia diante da panela de doce de leite, acompanhando diferentes pontos da receita. “Tudo que ela fazia, era feito com muito amor e com cuidado, acredito que cozinhar para alguém, é poder estar junto, cuidar.”
Ana Flávia também cresceu em contato com os preparos de outras mulheres da família, como a tia Rosalina, responsável por uma cocada de corte que ela considera especial, e a avó Nair, conhecida pelo frango recheado e pelos bolinhos de chuva feitos nos dias frios.
A formação profissional começou no Centro Universitário Senac Águas de São Pedro, onde Ana Flávia estudou e também trabalhou por dois anos como cozinheira no Grande Hotel Senac. Ao longo de quatro anos de experiência na gastronomia, passou pelo restaurante Nelita, atuando na produção e nas praças de garde e confeitaria. Atualmente, integra a equipe do Broca, em São Paulo.
“Acredito que consigo carregar um pouco de cada lugar e cada pessoa que pude trabalhar durante esses quatro anos. Todo lugar te modifica de alguma forma”, afirma.
Do Nelita, ela leva a organização e a delicadeza. No Broca, vem aprendendo sobre a importância de trabalhar em torno de uma cultura compartilhada pela equipe e de reconhecer o valor da confiança no ambiente profissional.
“Trabalhar com cozinha, é principalmente cuidar das pessoas, das que trabalham ao seu lado dia após dia, das que comem sua comida, é ensinar, ouvir e aprender.”
No Broca, a chef encontrou também uma das principais incentivadoras de sua trajetória recente: Mirela Rafaneli, responsável pela cozinha do restaurante e sua mentora na S.Pellegrino Young Chef Competition. Foi por intermédio de Mirela e de Cadu, também ligado à equipe do Broca, que Ana Flávia conheceu a competição e decidiu se inscrever.
“O Broca me trouxe uma visão diferente e, principalmente, a Mirela Rafaneli, chef de cozinha do Broca e também minha mentora no S.Pellegrino Young Chef Academy, que me inspira a cada dia a me tornar uma profissional melhor, tanto no desenvolvimento da técnica quanto como pessoa.”
A inscrição foi motivada, sobretudo, pela confiança recebida. “Eu me inscrevi na competição principalmente porque ela acreditou no meu trabalho”, conta.
Mirela costuma dizer que deseja ser a chefe que nunca teve. Para Ana Flávia, a relação representa justamente a oportunidade de contar com a liderança que sempre desejou encontrar na carreira. “Hoje em dia, eu falo que ela é a chefe que eu sempre quis ter na minha carreira.”
A memória da avó Etelvina está no centro do prato que Ana Flávia apresentará na competição. A inspiração veio da sopa de milho preparada durante as festas do milho da família, realizadas na época da colheita.
Etelvina tinha 12 irmãos, e cada um deles preparava uma receita diferente para os encontros. A sopa de milho, conta a chef, era a especialidade pela qual sua avó era conhecida.
A partir dessa lembrança, Ana Flávia desenvolveu uma criação autoral que reúne técnicas aprendidas ao longo da formação profissional.
“Dentro disso tentei trabalhar técnicas de reaproveitamento, glace, clarificação, para ter um prato completo e que eu pudesse mostrar um pouquinho de cada lugar que trabalhei.”
A oportunidade de apresentar esse trabalho surgiu com a seleção para a S.Pellegrino Young Chef Competition 2026-2027, iniciativa internacional voltada à descoberta e ao desenvolvimento de jovens talentos da gastronomia.



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