Mina Finch falou a VEJA sobre obra 'K-Pop Academy' e fascínio pela cultura coreana
Priorizar nos meus resultados Google Sob o pseudônimo de Mina Finch, a escritora da série K-pop Academy se revelou um fenômeno entre o público infantojuvenil, com histórias que misturam fantasia sobrenatural e elementos do universo dos ‘idols’ coreanos. Best-seller da saga que acompanha o grupo AURA – que ganha agora dois novos volumes no Brasil pela editora Intrínseca –, a autora dos sucessos O palco das sombras e A maldição da fama falou a VEJA sobre suas inspirações e o interesse pela cultura coreana. Os lançamentos simultâneos O som do cristal e Os guardiões do brilho continuam a explorar os bastidores da indústria musical e temas como amizade, pressão pela perfeição, fama e rivalidade.
Qual sua relação com o universo do K-pop e o que a inspira a escrever? Meu interesse pelo K-pop começou anos atrás, quando eu estava pesquisando e escrevendo biografias sobre alguns dos maiores grupos da indústria. Quanto mais eu aprendia, mais fascinada ficava pela combinação de música, performance, narrativa e moda dentro do fandom. Passei muito tempo estudando sobre a cultura coreana, o folclore, a gastronomia e o setor de entretenimento, e tudo isso acabou encontrando espaço na série K-pop Academy. A inspiração vem de diferentes lugares, mas me interesso especialmente pelo que os jovens estão dispostos a fazer para alcançar seus objetivos. A dedicação, disciplina e trabalho em grupo exigidos de iniciantes do K-pop criam um ótimo cenário para histórias sobre amizade, sonhos e perseverança.
Você teve alguma imersão na vida real durante a pesquisa para a série, como entrevistar trainees de K-pop ou profissionais da indústria? Embora eu não tenha entrevistado formalmente trainees para esta série, passei anos pesquisando essa indústria enquanto escrevia livros anteriores sobre alguns de seus maiores grupos. Por trás de cada apresentação existem anos de prática, trabalho em equipe, obstáculos e persistência. Com o tempo fui percebendo que essas experiências são universais. Seja o sonho de um jovem o de se tornar um ídolo do K-pop, um atleta, um artista ou um cientista, a jornada costuma envolver a mesma combinação de trabalho duro, insegurança, amizade e determinação. Uma coisa ficou muito clara: por trás de todo artista de sucesso existe uma quantidade impressionante de esforço, treinamento e sacrifício. Isso moldou profundamente muitos dos temas presentes nos livros.
Sua série de livros foi lançada pouco depois do enorme sucesso de Guerreiras do K-Pop, da Netflix. O que faz da fantasia um gênero tão natural para histórias sobre estrelas pop em ascensão e a indústria do K-pop? A performance já parece algo mágico por si só. Há luzes, música, figurinos, coreografias e milhares de fãs compartilhando a mesma experiência emocional. Não é preciso muita imaginação para acreditar que pode haver algo sobrenatural acontecendo por trás de tudo isso. A fantasia também nos permite explorar emoções reais de maneira mais intensa. Os medos, as esperanças, as rivalidades e as amizades vividas pelos jovens artistas podem se transformar em forças literais dentro da história.
De onde surgiu o interesse por elementos sobrenaturais? Sempre gostei de folclore e mitologia. Toda cultura possui histórias que ajudam a explicar o mundo e a transmitir valores importantes de geração em geração. À medida que fui conhecendo melhor o folclore coreano, fiquei fascinada pela tradição de espíritos, guardiões e seres sobrenaturais. A visão sobre os demônios é particularmente interessante porque a maioria deles, no fundo, não é realmente má. Eles não são os “vilões” tradicionais. A maior parte desses demônios possui dois lados: um que deseja ajudar e outro, equivocado ou travesso, que às vezes acaba fazendo a coisa errada. Acho que isso traz uma boa lição de pensamento crítico para crianças (e também para adultos). É uma distinção muito importante, especialmente em um momento em que grande parte do que vivenciamos apresenta os relacionamentos como um confronto entre “nós e eles” ou entre “mocinhos e vilões”. Quando descobri tudo isso, soube que precisava desenvolver uma série que combinasse o emocionalmente intenso universo do K-pop com o mundo do folclore coreano.
Muitas crianças e jovens sonham hoje em se tornar ídolos do K-pop. Como você espera que seus livros dialoguem com esse público? Espero que os leitores percebam que os sonhos são importantes, mas que as pessoas que nos ajudam a persegui-los também são. Os livros celebram a música, a performance e a ambição, mas, no fundo, falam sobre amizade, resiliência, trabalho em equipe e fidelidade a si mesmo. Independentemente do que o leitor queira se tornar, essas lições continuam sendo válidas. Acima de tudo, espero que o público feche o livro inspirado a trabalhar duro por algo que realmente lhe importe.
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