O candidato Gadi Eisenkot saúda a multidão durante um comício de seu partido, Yashar, às vésperas das eleições legislativas israelenses. Tel Aviv, 25 de outubro de 2026. Ronen Zvulun / Reuters Ele talvez seja o próximo primeiro-ministro de Israel e promete reconciliar um país profundamente dividido. Na noite de domingo (25), Gadi Eisenkot, de 66 anos, reuniu seus apoiadores para um último comício antes do pleito. "Nosso objetivo não é que um lado prevaleça sobre o outro", declarou

O candidato Gadi Eisenkot saúda a multidão durante um comício de seu partido, Yashar, às vésperas das eleições legislativas israelenses. Tel Aviv, 25 de outubro de 2026. Ronen Zvulun / Reuters Ele talvez seja o próximo primeiro-ministro de Israel e promete reconciliar um país profundamente dividido. Na noite de domingo (25), Gadi Eisenkot, de 66 anos, reuniu seus apoiadores para um último comício antes do pleito. "Nosso objetivo não é que um lado prevaleça sobre o outro", declarou ele diante de seus apoiadores. "Trabalharemos para reunir novamente todos os israelenses — aqueles que votaram em nós e aqueles que não votaram", prometeu. Israel vai às urnas pela 1ª vez após a guerra em Gaza, em disputa acirrada que definirá o futuro de Netanyahu Eisenkot encerrou a campanha com um discurso centrado na transparência, no fortalecimento das instituições e no senso de responsabilidade do Estado. Em um apelo por alternância de poder, o candidato afirmou que "Netanyahu deve voltar para casa", após as eleições, e declarou a apoiadores que "o espírito da mudança está mais forte do que nunca". Militar de carreira, Eisenkot construiu uma trajetória ascendente dentro das Forças Armadas de Israel. Ele iniciou sua trajetória na Brigada Golani, unidade conhecida por sua atuação no Líbano, onde serviu como soldado antes de percorrer todos os postos da hierarquia militar até chegar ao comando da força. Em 2015, alcançou o topo da carreira ao ser nomeado o 21º chefe do Estado-Maior do Exército israelense, em uma indicação feita justamente por Benjamin Netanyahu, hoje seu principal adversário. Em 2022, Eisenkot ingressou na política ao integrar a aliança de centro liderada por Benny Gantz, seu antecessor no comando das Forças Armadas, e foi eleito deputado para o Knesset, o Parlamento israelense. Após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, ele decidiu se juntar ao governo de Benjamin Netanyahu em nome da unidade nacional.  Como ministro sem pasta, passou a integrar o gabinete de guerra e participou das decisões sobre a ofensiva militar em Gaza. Foi durante uma reunião desse grupo que recebeu a notícia da morte de seu filho mais novo, Gal Meir Eisenkot, de 25 anos, que atuava como reservista no território palestino. Eisenkot deixou o governo em junho de 2024, acusando Netanyahu de ter comprometido deliberadamente as negociações para a libertação dos reféns mantidos em Gaza. Segundo ele, o primeiro-ministro cedeu à pressão exercida por seus aliados da extrema direita. Em 2025, fundou o partido Yashar (algo como “direto ao ponto”, em tradução livre). Agora no g1 Grande popularidade Apesar da pouca experiência política, Eisenkot desfruta de grande popularidade. O ex-chefe das Forças Armadas tem posições sobre o conflito israelense-palestino que pouco divergem das defendidas pelo atual governo. Ele se opõe à criação de um Estado palestino e promete derrotar o grupo Hamas em até 18 meses caso seja eleito. O candidato também apoia a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional. Por outro lado, promete pôr fim à impunidade de colonos israelense envolvidos em ataques recorrentes contra civis palestinos. Além disso, defende a revogação da reforma judicial aprovada pelo governo Netanyahu, a criação de uma comissão de investigação sobre os ataques de 7 de outubro de 2023 e o fim da isenção do serviço militar para os judeus ultraortodoxos, tema que há anos divide a sociedade e a classe política de Israel. Em seu último discurso de campanha, Eisenkot reforçou o compromisso com a segurança e a economia, e também prometeu romper com o modelo de governança de seu adversário, protagonista da vida política israelense há cerca de três décadas. "No fundo, vocês sabem que Israel não pode continuar assim", declarou no domingo. A proposta de ruptura atrai eleitores cansados da polarização e das divisões políticas no país. De origem muito humilde, caso este filho de imigrantes marroquinos vença as eleições, ele será o primeiro chefe de governo sefardita de Israel, grupo formado por judeus originários do Norte da África e do Oriente Médio. Ainda assim, mesmo que termine a votação em primeiro lugar, o candidato deverá buscar aliados para conseguir formar uma coalizão de governo Segundo pesquisa do canal i24NEWS realizada pelo instituto Direct Polls e divulgada no domingo, o bloco liderado por Benjamin Netanyahu deve conquistar 59 das 120 cadeiras do Knesset, ficando a apenas dois assentos da maioria necessária para governar. Já a aliança encabeçada por Gadi Eisenkot aparece com 47 cadeiras, enquanto os partidos árabes somariam 14 assentos. LEIA TAMBÉM: Eleição em Israel equivale a julgamento popular de Netanyahu