Assessor estreitou laços com Bolsonaros ao assumir rede social conservadora e ampliou apoio público ao senador na campanha
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29.out.2026 às 20h06
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O estrategista político americano Jason Miller, assessor de comunicação do presidente Donald Trump e aliado da família Bolsonaro, ajudou a organizar o avião particular que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos após sua derrota nas eleições presidenciais brasileiras.
A participação do americano na operação foi revelada nesta quinta-feira (29) pelos jornais americanos The New York Times e The Wall Street Journal.
Miller faz parte do círculo de confiança de Trump, participou de suas campanhas presidenciais e mantém uma relação antiga com os Bolsonaros.
Ele retornou para a Casa Branca em agosto para assessorar a campanha dos republicanos para as eleições legislativas e ocupa atualmente uma função chamada "special government employee", categoria de funcionário federal geralmente vinculada a serviços temporários ou limitados.
O estrategista também se envolveu na campanha presidencial de Flávio, a quem declarou apoio publicamente, e acompanhou de perto a disputa eleitoral brasileira.
No domingo (25), dia do segundo turno, Miller dizia a aliados que Trump reconheceria o resultado da eleição ainda naquela noite caso Flávio saísse vencedor, mas que não havia discutido com o presidente americano a possibilidade de vitória de Lula (PT).
Também no domingo, passou a criticar a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de ampliar o horário de votação.
"O advogado da campanha de Lula, agora ministro do STF, literalmente seu advogado, decidiu que as urnas ficassem abertas por mais duas horas. Não dá pra inventar uma merda dessas", escreveu ele.
Fez ainda diversas postagens nas redes sociais dizendo que a vitória de Lula era "matematicamente impossível", argumento que tem sido usado por bolsonaristas para dizer, sem apresentar nenhum indício, que as eleições brasileiras foram fraudadas.
Miller acompanhou uma entrevista coletiva de Flávio a jornalistas em maio, após o encontro do senador com Trump na Casa Branca. Na ocasião, afirmou que não havia participado da reunião no Salão Oval, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro era perseguido e declarou que o presidente americano estava "muito preocupado" com a situação política brasileira.
Questionado sobre sua presença no evento, Miller afirmou: "Estou aqui para apoiar meus amigos. Eu apoio Flávio".
Ao ser questionado por que Trump ainda não havia declarado apoio à candidatura do senador, o estrategista respondeu que o republicano confiava em Flávio, mas que a decisão caberia aos eleitores brasileiros.
"O presidente Trump sabe que a população brasileira vai tomar a decisão correta e tem toda a confiança em Flávio. Mas cabe ao povo brasileiro tomar essa decisão. Sei que o presidente está muito preocupado com a segurança do processo eleitoral no Brasil", afirmou.
Segundo o Wall Street Journal, o assessor integrou um pequeno grupo que, em contato com Eduardo Bolsonaro, providenciou um jato particular para transportar Flávio da Argentina até a Flórida. A operação começou a ser organizada na segunda-feira (26), após a determinação judicial para que o senador entregasse seus passaportes.




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