Presidente dos EUA responsabiliza adversário por problemas que vão da inflação à política externa e à falta de munições militares

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Donald Trump mencionou Joe Biden quase 900 vezes desde janeiro, focando em problemas econômicos, imigração e política externa. A estratégia visa culpar o antecessor por falhas e desviar a atenção das preocupações com sua própria presidência, mantendo os eleitores focados no passado, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou Joe Biden pelo menos 890 vezes desde o início deste ano, mantendo o antecessor democrata no centro de seus discursos a poucas semanas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, quando boa parte do Congresso será renovada. Uma análise da agência de notícias Reuters identificou referências ao ex-presidente democrata em quase 200 eventos e entrevistas, além de cerca de 190 publicações na rede Truth Social — uma média de três menções por dia.

Trump responsabiliza seu antecessor por problemas que vão da inflação à política externa e à falta de munições militares. Das menções contabilizadas desde janeiro, pelo menos 210 estavam relacionadas à economia, 168 à imigração e 138 a questões internacionais e de segurança nacional.

A insistência ocorre em meio à campanha republicana para preservar o controle do Congresso e enquanto o republicano enfrenta queda nos índices de aprovação.

Os democratas “proporcionaram a vocês quatro anos de desastre, caos e morte sob o comando do sonolento Joe Biden”, disse Trump durante a convenção republicana de meio de mandato em Dallas.

A tática reflete o esforço de Trump para manter os americanos focados nos fracassos percebidos durante a administração anterior, e não nas preocupações dos eleitores sobre sua própria presidência.

“Donald Trump sempre precisa de um contraponto, e é melhor ter uma pessoa específica do que um partido”, disse à Reuters o estrategista republicano Ryan Williams. “Ele fez isso durante todo o seu mandato. Pode usar essa estratégia para tentar desviar a atenção de quaisquer problemas que esteja enfrentando no momento.”

Biden, de 83 anos, se retirou em grande parte da vida pública enquanto enfrenta um câncer de próstata em estágio 4. No início do mês, o democrata afirmou que a radioterapia que realizou no ano passado “funcionou como esperado” e que a doença foi controlada.

A economia é o assunto em que Trump mais recorre ao nome do antecessor. Depois de afirmar em fevereiro que assumia a responsabilidade pelo desempenho econômico do país, o republicano passou a atribuir a Biden os problemas relacionados ao custo de vida. Na semana passada, escreveu na Truth Social que os aumentos de preços nos Estados Unidos haviam sido provocados pelo governo anterior. 

A imigração aparece em segundo lugar. O ocupante do Salão Oval afirma repetidamente que as políticas adotadas por Biden permitiram níveis recordes de entradas irregulares pela fronteira com o México e usa esse argumento para defender a ampliação de sua campanha de deportações. 

Biden também é citado quando Trump trata das guerras no Irã e na Ucrânia. O presidente acusa o democrata de ter sido pouco rigoroso com Teerã e já atribuiu ao envio de armamentos americanos para a Ucrânia durante o governo anterior parte da escassez de munições enfrentada pelos Estados Unidos. Ainda segundo a análise da Reuters, Trump recorreu ao democrata ao falar de crises internacionais pelo menos 138 vezes neste ano.