Disputas e acusações entre ministros colocaram o Supremo Tribunal Federal no centro do debate nacional. Entenda quem são os principais personagens da crise que envolve a mais alta Corte do país.

Relembre quem são os principais envolvidos nas tensões que tomaram conta do STF nos últimos dias:

Dono do Banco Master, o mineiro Daniel Vorcaro, de 42 anos, está preso desde março. Ele é formado em Economia e ligado à Igreja Batista da Lagoinha. Começou a carreira no ramo da educação, e posteriormente entrou no setor imobiliário. Em 2018, Vorcaro assumiu a gestão do banco que se tornaria o Master.

Ele ganhou destaque nacional quando o Master firmou operações de grande porte com o governo do Distrito Federal por meio do Banco de Brasília (BRB).

Alexandre de Moraes tomou posse como ministro do STF em março de 2017. Ele foi indicado pelo então presidente Michel Temer para a vaga que era de Teori Zavascki, morto dois meses antes na queda de um avião em Paraty, no Rio de Janeiro.

Na época da indicação, Moraes era ministro da Justiça. Antes, foi promotor de Justiça, e também secretário de Segurança Pública e secretário de Justiça, Defesa e Cidadania de São Paulo, nos governos de Geraldo Alckmin. É também Professor Titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde se formou.

Mensagens apreendidas pela PF no celular de Vorcaro sugerem uma relação entre o ex-banqueiro e Moraes. O ministro teria participado das negociações de contratos milionários entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre. Além disso, Vorcaro teria conversado com o ministro dois dias antes de ser preso pela primeira vez, em novembro.

Moraes nega irregularidades. O escritório da sua esposa diz ainda que os contratos seguiram a legislação e as regras aplicáveis à advocacia.

André Mendonça foi indicado para o STF em 2021, pelo então presidente Jair Bolsonaro. A vaga na Corte havia sido aberta pela aposentadoria de Marco Aurélio Mello.

No governo Bolsonaro, Mendonça foi ministro da Justiça e advogado-geral da União. Ao indicá-lo ao Supremo, Bolsonaro buscava cumprir a promessa de nomear um Ministro "terrivelmente evangélico": Mendonça é pastor licenciado da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília.

Já no STF, Mendonça assumiu em 2025 a relatoria do caso das fraudes do INSS. E em fevereiro, foi sorteado relator da investigação do caso Master, depois do afastamento de Dias Toffoli, que pediu para ser substituído depois de ter sua atuação e sua relação com Vorcaro questionada.

Em setembro, Mendonça tornou públicos os documentos da PF contendo mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. E determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisasse as descobertas e a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes. Em retaliação, Moraes encaminhou um pedido de investigação contra Mendonça a Edson Fachin, no âmbito do inquérito das fake news.

No final de 2025, Toffoli foi sorteado para ser o relator da operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master, no STF. Pouco tempo depois, Toffoli decidiu que a investigação seria competência do Supremo, apos um pedido da defesa de Vorcaro que citava o foro privilegiado de um deputado federal envolvido no caso.

Toffoli nega que tenha qualquer relação com Vorcaro. Contudo, com a escalada dos questionamentos, saiu da relatoria do caso Master no STF em fevereiro. Andre Mendonça foi sorteado para assumir em seu lugar.

Andrei Augusto Passos Rodrigues foi nomeado diretor-geral da Polícia Federal em 2023, nos primeiros dias do governo Lula. Antes, foi secretário extraordinário de segurança para grandes eventos, trabalhando na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

Rodrigues assumiu a PF em crise. Durante os quatro anos do governo Bolsonaro, a instituição teve quatro diretores-gerais (Maurício Valeiro, Rolando de Souza, Paulo Maiurino e Márcio Nunes), além de Alexandre Ramagem, cuja nomeação foi barrada pelo STF.

Em setembro, André Mendonça determinou o afastamento de Rodrigues. O ministro alega que vinha sendo monitorado pela PF de forma ilícita e sistemática. No dia seguinte, o ministro do STF Flávio Dino reverteu a ordem de Mendonça e determinou a reintegração imediata de Rodrigues ao cargo. Na quarta-feira (09/09), o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a ordem de Mendonça e a decisão de Dino, e convocou o plenário para discutir a crise na próxima terça-feira (15/09).

Leandro Almada da Costa é delegado da Polícia Federal desde 2008 e diretor de Inteligência do órgão desde 2024. Já foi superintendente regional da PF no Amazonas, na Bahia e no Rio de Janeiro, e investigou a atuação da Polícia Civil no inquérito sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Almada foi afastado Diretoria de Inteligência Policial das PF por André Mendonça, na mesma decisão que tirou Andrei Rodrigues do cargo. A ordem de Mendonça foi suspensa por Edson Fachin.

Paulo Gonet é o atual procurador-geral da República (PGR). Ele foi indicado ao cargo por Lula em 2023, substituindo Augusto Aras. Antes, Gonet atuou como vice-procurador-geral eleitoral e subprocurador-geral da República.

O procurador também é citado nas mensagens de Vorcaro, e pediu a anulação do relatório da PF que liga o ex-banqueiro a Moraes. Ele alega que o ministro André Mendonça não tinha competência para encomendar uma investigação da PF na fase pré-processual, sem consultar o plenário do STF.