Influenciadora classificou obra como 'vitimista' na Bienal de SP
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18.set.2026 às 10h58 Atualizado: 21.set.2026 às 13h02
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André Bernardo Myles Burke
O "Diário de Anne Frank", um dos livros mais conhecidos sobre o Holocausto, voltou ao centro do debate no Brasil depois que uma jovem entrevistada por uma influenciadora classificou a obra como "vitimista" durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Em um vídeo publicado no TikTok, o perfil @JovemLiaa abordou uma visitante do evento e pediu que ela apontasse suas leituras favoritas e aquelas que mais a haviam decepcionado.
Ao citar o diário como sua pior leitura e justificar a escolha com a palavra "vitimista", a jovem entrevistada provocou uma onda de reações nas redes sociais.
O Museu do Holocausto e a Federação Israelita divulgaram notas de repúdio à declaração. As duas instituições ressaltaram que o diário precisa ser compreendido dentro do contexto em que foi escrito: o relato de uma adolescente judia que viveu escondida durante a perseguição nazista na Holanda.
As entidades afirmaram ainda que narrar o próprio sofrimento não define uma pessoa apenas pela condição de vítima e destacaram a dimensão histórica do texto, escrito durante um dos períodos mais violentos do século 20.
Mas quem foi Anne Frank? Como era a vida no esconderijo onde ela escreveu? E como aquelas páginas, produzidas por uma adolescente de 13 a 15 anos, se transformaram em um dos livros mais lidos do mundo?
Annelies Marie Frank nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 12 de junho de 1929. Filha de Otto e Edith Frank, ela tinha uma irmã, Margot, três anos mais velha.
A família era judia e deixou a Alemanha em 1933, após a ascensão do Partido Nazista e a chegada de Adolf Hitler ao poder. Os Frank se mudaram para Amsterdã, na Holanda, onde Anne passou a frequentar a escola, aprendeu holandês e fez novos amigos.
A segurança que encontraram no país, porém, duraria pouco. Em 10 de maio de 1940, a Alemanha invadiu a Holanda. A ocupação foi acompanhada por uma série de medidas antissemitas, que restringiam a vida dos judeus e aumentavam progressivamente sua perseguição.
Otto Frank tentou emigrar para os Estados Unidos, mas não conseguiu concluir o processo antes do fechamento dos consulados americanos nos territórios ocupados pelos alemães.
Em julho de 1942, Margot recebeu uma convocação para se apresentar a um campo de trabalhos forçados. A família decidiu então se esconder. Anne tinha 13 anos.
A família foi para um espaço escondido nos fundos do prédio onde funcionavam os negócios de Otto Frank, no número 263 da Prinsengracht, em Amsterdã. A entrada ficava atrás de uma estante especialmente construída para esconder o acesso.
O local, que Anne chamava de "anexo secreto", tinha cerca de 120 m².
Além dos quatro integrantes da família Frank, ali se esconderam Hermann e Auguste van Pels e o filho deles, Peter, além do dentista Fritz Pfeffer.



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