Com debate esvaziado, analistas ouvidos pela BBC News Brasil não enxergam um vencedor nítido; mas Renan Santos, como franco-atirador, conseguiu aproveitar espaço para se fazer mais conhecido.
Apenas três candidatos à Presidência da República participaram neste domingo (23/8) do primeiro debate presidencial, promovido pela TV Bandeirantes: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Os outros três presidenciáveis convidados pela emissora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), decidiram não comparecer ao evento. O próximo debate está marcado para o dia 14 de setembro.
Diante de um debate esvaziado, os analistas ouvidos pela BBC News Brasil não enxergam no confronto um vencedor nítido, que tenha conseguido reverter claros dividendos eleitorais. Mas dizem que Renan Santos conseguiu aproveitar espaço para se fazer mais conhecido.
A ausência pautou as discussões do começo ao fim do programa deste domingo à noite. Inicialmente, Cury chegou à emissora, mas não quis entrar no estúdio, afirmando que não participaria mais do debate.
Para o candidato do Avante, o fato de Lula dar uma entrevista à Record, que foi ao ar no mesmo horário do debate, foi "a gota d'água". Mas Cury acabou participando, enfim, do encontro, que foi o mais esvaziado desde 1989, quando Lula foi candidato à presidência pela primeira vez.
Para o cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, de maneira geral, os debates costumam ser mais positivos para candidatos mais desconhecidos pelo eleitorado.
Nesse aspecto, ele afirma que Renan Santos é quem mais tende a sair como vencedor da noite. "Parece que Renan é alguém que melhor aproveitou o debate", diz.
"O caminho para esse efeito do debate não é só a fala no momento, mas o material que ele gera para circular posteriormente", diz.
"Como Renan tem um grau maior de liberdade e tem um perfil mais heterodoxo na classe política, parece que pode ter gerado mais material para circular ao longo do caminho", acredita Cortez.
Renan aparece com 4% das intenções de voto no agregador de pesquisas da BBC News Brasil e não terá tempo de TV nem de rádio durante a propaganda eleitoral.
Até mesmo seu espaço em outros eventuais debates está em xeque, já que, segundo a Lei das Eleições, têm direito garantido a participar de debates na TV e no rádio os candidatos cujos partidos, federações ou coligações tenham ao menos cinco parlamentares (deputados federais ou senadores) no Congresso Nacional.
Atualmente, o único parlamentar do Missão é o deputado federal e candidato à reeleição, Kim Kataguiri.
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O tempo para Renan foi, portanto, precioso. Ele chegou à emissora apresentando duas fraldas, uma para Lula e outra para Flávio, candidatos que ele atacou em todos os blocos do programa.
"Sua estratégia, desenhada desde a pré-campanha, passa justamente por usar debates, sabatinas e redes sociais para furar essa barreira de conhecimento", afirmou Mayra Goulart, professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Para ela, o candidato do Missão foi "o grande personagem da noite". Assim como Cortez, Mayra afirma que Renan sairá do primeiro debate com grande quantidade de material para circular nos próximos dias.
"Mas permanece a questão central: o personagem concebido para gerar engajamento é capaz de produzir confiança?", questiona ela.
Mas, para Cortez, não se trata de confiança. "Dada a ausência de Lula e Flávio, em alguma medida o que está em jogo é um eleitor mais cansado dessa polarização e que, portanto, tem maior tendência a [votar em] alguém que seja mais disruptivo."
Para ele, o debate não deve impactar as intenções de voto em Flávio Bolsonaro e Lula, porque as pesquisas apontam que os dois líderes têm um eleitorado mais consolidado.




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