No programa Fronteiras, Rodrigo Da Silva explica porque o voto quase não se mexe numa noite de televisão
Na noite de 29 de abril de 2010, 150 estudantes de uma universidade nos arredores de Londres se sentaram para assistir ao último debate entre os candidatos a primeiro-ministro do Reino Unido. Eles foram divididos em duas salas. E viram a mesma transmissão, ao mesmo tempo.
Na tela, por cima dos candidatos, uma linha subia e descia em tempo real – supostamente, a reação de um grupo de eleitores indecisos. Os britânicos chamam isso de worm, a minhoca.
Mas a minhoca era falsa. Três psicólogos programaram ela para subir, numa sala, quando falava Gordon Brown, o primeiro-ministro. Enquanto na outra sala, isso acontecia quando falava o outro candidato: Nick Clegg, o líder dos liberais-democratas. A maioria dos estudantes nem desconfiou que era um experimento.
Depois do debate, eles responderam quem tinha vencido. Na sala da minhoca pró-Brown, 47% apontaram Brown. Na sala pró-Clegg, 79% apontaram Clegg.
Mesmo debate, mesma noite, mas vencedores diferentes. As pessoas apenas seguiram o que achavam que todo mundo estava achando.
Neste domingo, Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentarão no debate que a Band promove em parceria com o Estadão. Vai ser o primeiro frente a frente dos dois em toda a campanha. No primeiro turno, houve um único debate presidencial na TV, o menor número desde 1998, e nenhum dos dois compareceu. Os dois debates marcados antes deste, no segundo turno, foram cancelados.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, ele tinha 49% das intenções de voto, contra 45% do presidente. 94% dos eleitores dizem já ter decidido o voto.
Após o debate, a pergunta estará em todo lugar: quem venceu? Na coluna em vídeo acima, no programa Fronteiras, Rodrigo da Silva explica melhor esse assunto.
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O programa Fronteiras é uma coluna em vídeo semanal. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre aos sábados, às 5h30, para assinantes do Estadão.
Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais e na coluna semanal de Rodrigo da Silva, publicada às segundas-feiras, às 20h.
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É jornalista e criador do canal Spotniks, do YouTube. Em suas colunas, usa texto, vídeo, gráfico, mapa e fotografia para ajudar o público a entender os maiores eventos globais, com clareza e contexto.
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