A corrida pela inteligência artificial está reforçando uma das maiores concentrações de capital da história do setor de tecnologia dos Estados Unidos. A Califórnia, onde fica o Vale do Silício, recebeu cerca de US$ 366 bilhões (1,9 trilhão de reais) em invest…

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A corrida pela inteligência artificial está reforçando uma das maiores concentrações de capital da história do setor de tecnologia dos Estados Unidos.

A Califórnia, onde fica o Vale do Silício, recebeu cerca de US$ 366 bilhões (1,9 trilhão de reais) em investimentos de venture capital em 2026, segundo dados da PitchBook.

O valor é mais de três vezes superior ao destinado, somados, aos outros 49 estados americanos. Também representa quase o dobro do recorde anterior da Califórnia, registrado em 2025.

O fenômeno ajuda a explicar por que o estado continua sendo o principal centro mundial da indústria de tecnologia mesmo diante de críticas recorrentes sobre o alto custo de vida, os impostos e a regulação californiana.

Para o leitor brasileiro, uma maneira simples de entender o movimento é pensar na Califórnia como uma espécie de ímã de capital para a inteligência artificial.

Quanto mais empresas de ponta, profissionais especializados e investidores estão concentrados na região, maior é a capacidade de atrair novos negócios e dinheiro.

O principal motor dessa disparada é a inteligência artificial. O setor entrou em uma nova fase de investimentos, marcada por rodadas bilionárias destinadas a um grupo relativamente pequeno de empresas.

No primeiro trimestre de 2026, cinco operações responderam por 73% dos US$ 267 bilhões movimentados no mercado americano de venture capital.

Cerca de US$ 243 bilhões vieram de negócios de pelo menos US$ 100 milhões, muitos deles relacionados à inteligência artificial.

A concentração aumentou ainda mais no primeiro semestre.

Dados da PitchBook mostram que 87,5% de todo o dinheiro investido por fundos de venture capital nos Estados Unidos foi destinado a grandes negócios de inteligência artificial. Empresas de outros setores continuam recebendo recursos, mas em escala muito menor.

É um fenômeno importante porque o número de investimentos não necessariamente está crescendo na mesma proporção. O que aumentou de forma extraordinária foi o tamanho de algumas operações.

Duas das maiores empresas de inteligência artificial do mundo estão no centro dessa concentração: OpenAI e Anthropic.

Juntas, elas foram responsáveis por mais de US$ 217 bilhões dos US$ 366 bilhões captados por empresas californianas neste ano. Isso significa que uma parcela extraordinariamente grande do dinheiro destinado ao estado está concentrada em apenas duas companhias.

A disparidade também aparece na comparação entre estados.

Nova York, que ocupa a segunda posição no ranking americano de investimentos de venture capital, recebeu cerca de US$ 27 bilhões em operações anunciadas neste ano — uma fração do volume destinado à Califórnia.

O contraste é ainda maior quando se considera que Nova York também é um dos maiores centros financeiros e tecnológicos dos Estados Unidos.

A explicação não está apenas nos incentivos fiscais ou nas condições regulatórias da Califórnia. O principal diferencial é a concentração de pessoas, empresas e capital em uma mesma região.

O Vale do Silício reúne algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, universidades de ponta, fundos de venture capital, investidores individuais e milhares de startups. Essa proximidade reduz o tempo necessário para que uma empresa encontre funcionários especializados, investidores e parceiros.

A própria PitchBook identifica a região da Baía de São Francisco como líder disparada nos investimentos em empresas de inteligência artificial. A concentração de capital local e a velocidade com que novas rodadas de financiamento são fechadas acabam atraindo mais empreendedores e investidores para a região.