joao e raquel no debate da rádio cidade - Arthur Botelho/Folha de Pernambuco A Coligação Pernambuco de Coração, da candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), impetrou uma representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE), nesta sexta-feira (11), contra vídeo publicado por João Campos em sua rede social, acusando a candidata de ser “fura-teto”. A informação foi trazida a público pela coluna de Renata Bezerra de Melo, do Diario de Pernambuco. A ação movida pela campanha da governadora questiona as afirmações publicadas pelo candidato do PSB que seriam refutadas por documentos oficiais. Entre as supostas inverdades estaria a de que ela “declarou R$ 1 na conta”, “dobrou sua remuneração”,  de que receberia acima do teto constitucional e que “já recebeu mais de R$ 1,2 milhão de forma inconstitucional”.

Fura-fila Neste sábado (12), durante campanha no Alto Santa Isabel, em Casa Amarela, Raquel Lyra voltou a criticar João Campos e aludir ao caso “fura fila”, em discurso a apoiadores. A acusação se refere à mudança do resultado de um concurso público para procurador municipal quando João Campos era prefeito do Recife, o que levou a uma tentativa de abertura de impeachment na Câmara Municipal no início de 2026.

“Se alguém quiser nos dividir, dizendo que o que vale é furar fila e minha irmã nunca furou, e o que vale é fazer as coisas erradas que minha irmã não faz, mostra para eles as cores da bandeira de Pernambuco. É ela que nos une”, disse. “Quando quiserem colocar qualquer coisa acima do nosso interesse, qualquer projeto pessoal como se fosse dono do poder, diga a ele que o povo de Pernambuco não tem dono não. Que nós somos donos da nossa história”, completou Raquel.

Representação no TRE-PE Na ação, a defesa da governadora aponta que o roteiro do vídeo, publicado no Instagram de João Campos, se encerra com uma pergunta: “Dá para Confiar?”, indagação que, na opinião da campanha de Raquel, “converte o conjunto em imputação de desonestidade”. 

A postagem do Instagram reproduz tema introduzido por João Campos durante o primeiro debate de candidatos a governador de Pernambuco, que se deu na manhã desta sexta-feira (11), em Caruaru, promovido pela rádio Cidade 99,7. Entenda o caso João Campos chamou de “fura-teto” no debate após a gestora fazer referência ao caso “fura-fila”, afirmando que a gestora teria recebido mais de R$ 1 milhão de forma inconstitucional. O candidato calcula que os ganhos da governadora vêm superando R$ 60 mil por mês e que, somando os quatro anos de seu mandato, ela já recebeu R$ 2,2 milhões em salários. Faz a conta de que isso é mais de seis vezes o valor que ela declarou possuir em bens à Justiça Eleitoral. A declaração de bens da candidata informa patrimônio total de R$ 359.498,33. O saldo de R$ 1,00, esclarece a representação, "tem explicação bancária corriqueira e documentada: a conta da candidata, mantida no Bradesco, opera com aplicação automática, de modo que os recursos disponíveis migram diariamente para investimento e a conta corrente exibe saldo residual simbólico". 

Além da vedação da publicação do vídeo, sob pena de multa de R$ 20.000 por cada descumprimento, a coligação Pernambuco de Coração pede direito de resposta no perfil do próprio João Campos no mesmo tempo de 30 segundos usado por ele, em formato de reels, e vedação de republicação dos trechos citados, sob pena de multa de R$ 50 mil por publicação.