Correção de 15% foi anunciada 17 dias antes do primeiro turno de 2026; Bolsonaro promoveu aumento maior
Priorize VEJA no Google O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira, 17, um reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família. A correção será aplicada a partir da folha de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições. O anúncio ocorre 17 dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Nunca um reajuste do programa ocorreu tão próximo de uma eleição para presidente. Esse não é, contudo, o maior reajuste do benefício já promovido em um ano eleitoral. O recorde pertence ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que elevou o Auxílio Brasil (nome do programa de transferência de renda do seu governo) de 400 reais para 600 reais em 2022, uma alta de 50% antes das eleições.
Em 24 de junho daquele ano, o então presidente anunciou publicamente que o Auxílio Brasil passaria de 400 reais para 600 reais. A declaração ocorreu a pouco mais de três meses da eleição presidencial, portanto com uma distância maior do pleito. A medida foi formalizada posteriormente pelo Congresso, através da PEC 123/2022 (conhecida como “PEC da Bondade” ou “PEC Kamikaze“), promulgada em 14 de julho. O novo valor seria pago em caráter temporário, de agosto a dezembro de 2022. O primeiro turno ocorreu em 2 de outubro, portanto cerca de 80 dias depois da promulgação da PEC.
A “PEC da Bondade” incluía não apenas o aumento do Auxílio Brasil, mas também outras medidas expansionistas, como auxílios para caminhoneiros e taxistas e uma ampliação do Vale-Gás. O impacto fiscal do conjunto de medidas era estimado em 41 bilhões de reais, posteriormente revisado para cerca de 68 bilhões de reais.
No caso do reajuste anunciado por Lula nesta quinta-feira, 17, a medida se concentra exclusivamente no Bolsa Família. O Ministério do Planejamento definiu que o aumento se aplica não apenas ao ano eleitoral, mas também para 2027, quando o próximo governo estará empossado. O governo sinaliza que o valor não deve retroceder ao nível anterior.
Outros presidentes, como Michel Temer (MDB) e Dilma Rousseff (PT), também elevaram o benefício em anos eleitorais.
Outro episódio de reajuste do Bolsa Família em ano eleitoral ocorreu durante o governo da petista Dilma Rousseff. Em 30 de abril de 2014, a então presidente anunciou um reajuste de 10% no programa. O aumento começou a ser pago em junho daquele ano. A eleição presidencial ocorreu em 5 de outubro, pouco mais de cinco meses depois do anúncio.
O reajuste elevou o valor médio do benefício. O percentual, porém, não foi uniforme entre todas as famílias, uma vez que os valores dos diferentes componentes do programa foram corrigidos de maneira distinta.
Em 30 de abril de 2018, o governo Michel Temer anunciou um reajuste de 5,67% no valor médio do Bolsa Família. A correção começou a valer em julho daquele ano, elevando o benefício médio da época de 177,71 reais para 187,79 reais. O primeiro turno da eleição presidencial de 2018 ocorreu em 7 de outubro, 160 dias depois do anúncio do reajuste.
Segundo o governo federal, o reajuste de 2026 é uma correção do Bolsa Família em relação Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC, a inflação das famílias de baixa renda) acumulado desde o início do atual desenho do programa, em 2023, até agosto deste ano. O piso do programa será elevado de 600 reais para 691 reais. Já o benefício médio deverá passar de aproximadamente 675 reais para 777 reais.
Jair Bolsonaro também citou a inflação como justificativa para elevar o valor pago a beneficiários do Auxílio Brasil. Contudo, a inflação acumulada entre novembro de 2021 a junho de 2022, quando o Auxílio Brasil ficou sem anúncios de reajustes, foi próxima de 7,3%, segundo o INPC. O aumento de 50% promovido pelo governo da época foi mais de seis vezes maior que a inflação referente ao período.




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