Há pouco que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa fazer para reduzir a sua rejeição no eleitorado feminino, e pesquisas indicam que essa realidade não mudaria tanto mesmo com um engajamento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha, algo impossível no horizonte de hoje. Essa rejeição tem razões estruturais, e não de conjuntura. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Há pouco que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa fazer para reduzir a sua rejeição no eleitorado feminino, e pesquisas indicam que essa realidade não mudaria tanto mesmo com um engajamento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha, algo impossível no horizonte de hoje. Essa rejeição tem razões estruturais, e não de conjuntura.
Apenas nisso—atribuir a rejeição a um fator estrutural, e não conjuntural— está certo o blogueiro Paulo Figueiredo, porta-voz informal do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (RJ), que em vídeo repleto de misoginia, disse que mulheres “votam mal”, especialmente as solteiras, por não terem um marido a orientá-las a serem de direita. Em tempo: o vídeo foi criticado por Flávio, ao que tudo indica em uma jogada ensaiada entre os dois. O fato é que a direita percebe que se defronta com um muro e não encontra passagem.
As pesquisas divulgadas esta semana dão pistas sobre o efeito do vídeo postado por Michelle nas redes sociais em que acusou o enteado de tê-la destratado pelo telefone. Indicam que não será significativo. Flávio pode estar no piso de sua intenção de voto entre mulheres.
O levantamento BTG/Nexus mostra que a rejeição de Flávio entre as mulheres é quase um espelho do repúdio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os homens. A curva de rejeição de um e de outro em cada gênero cresce paulatinamente desde abril. Já a rejeição de Lula entre as mulheres e de Flávio entre os homens permaneceu estável em 90 dias.
A intenção de voto segue o mesmo padrão. Flávio consegue 14 pontos percentuais a mais que Lula entre os homens , e o presidente tem 19 pontos percentuais a mais que o senador entre as mulheres. Como há mais mulheres do que homens no eleitorado ( 52% a 48%), é isso que está garantindo a dianteira de Lula nas pesquisas.
Em 2022, Michelle estava muito presente na campanha do marido. No último Datafolha do segundo turno, em outubro daquele ano, Jair Bolsonaro tinha 41% de intenção de voto entre as mulheres, ante 52% de Lula. Hoje, de acordo com a BTG/Nexus, o petista está com três pontos percentuais a mais e Flávio, com cinco pontos a menos neste segmento. Admita-se a premissa de que a diferença entre 2022 e 2026 se deva somente à variável Michelle: ainda assim as pesquisas mostrariam igualdade númerica entre Lula e Flávio, mas não dianteira do senador.
Uma outra pesquisa, da Atlas/Bloomberg, permite inferir que o vídeo de Michelle repercutiu mal entre os bolsonaristas sem ter despertado empatia entre os antibolsonaristas. Na simulação em que Michelle é incluída como possível candidata a intenção de voto dela caiu de 23,4% em maio para 19,3% no levantamento divulgado nesta quarta-feira, já com alguns dias de repercussão do vídeo. O levantamento aponta que 78% dos respondentes assistiram ao vídeo.
De acordo com a Atlas/Bloomberg, somente 3,9% dos eleitores de direita citaram Michelle como melhor nome para liderar pautas conservadoras nos próximos anos. Quatro em cada cinco eleitores de Jair Bolsonaro em 2022 preferem Flávio a ela à frente do grupo. A leitura predominante no campo é de que a contenda entre Michelle e Flávio está mais ligada à disputa por protagonismo do que a machismo.
A pesquisa Atlas é online, feita a partir da ponderação de respostas a questionários direcionados pelas redes sociais. Tende a refletir a opinião do eleitorado que acompanha com mais atenção o noticiário político. Esse contingente converge para quase 100% na reta final da eleição, mas a mais de 90 dias da disputa, como agora, o nível de desatenção é importante e o resultado pode carregar um certo viés.
Uma provável explicação para a rejeição da direita entre as mulheres está na desigualdade social entre gêneros. De acordo com o Datafolha de junho, as mulheres são mais vulneráveis economicamente. Embora sejam maioria, são minoria entre assalariados, no funcionalismo público, entre empresários. Prevalecem entre aposentados, estudantes e desempregados e população fora da PEA.
Em decorrência dessa vulnerabilidade, mulheres no Brasil também têm menos renda. Segundo o Datafolha, só são maioria na faixa que ganha até dois salários mínimos. Pela teoria do voto racional, aquela que diz que o eleitor não se guia por questões meramente emotivas, é compreensível que o eleitorado feminino fique mais propenso a aderir a candidaturas que dêem grande ênfase a políticas sociais e de amparo do Estado.




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