Corte se reúne às 10h desta terça-feira para avaliar regularidade na elaboração de documento da PF e abertura de inquérito contra ministro
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúnem às 10h (de Brasília) desta terça-feira, 15, para julgar o relatório da Polícia Federal (PF) que apresentou mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, além da possibilidade de abertura de um inquérito contra o magistrado, procedimento considerado inédito na história da Corte.
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Com transmissão ao vivo pela Rádio Justiça, TV Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube, o plenário terá acesso restrito a jornalistas previamente credenciados, conforme divulgado anteriormente. O Terra acompanhará os procedimentos em tempo real.
Entre os principais destaques do documento elaborado pela PF a pedido do relator do caso Master no STF, o ministro André Mendonça, estão pedidos de Vorcaro para que Moraes atuasse junto à cúpula da corporação e à Procuradoria-Geral da República, além de questionamentos sobre o avanço da Operação Compliance Zero.
Extraídas do celular de Vorcaro e divulgadas inicialmente pelo Blog do Fausto Macedo, do Estadão, as conversas se intensificaram nos dias que antecederam a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.
Ao longo das mensagens, Vorcaro pediu informações sobre possíveis medidas contra o Banco Master, perguntou se seria possível “bloquear” ações da PF e chegou a questionar Moraes se deveria deixar o País para evitar a prisão. As conversas também mostram elogios do banqueiro ao ministro e referências à proximidade entre os dois.
Para os investigadores, segundo apuração do jornal, as mensagens indicam que Moraes compartilhava com Daniel Vorcaro informações sensíveis sobre os primeiros passos da Operação Compliance Zero, como datas e horários de diligências previstas pela Polícia Federal.
Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro recorreu pela primeira vez a Moraes para pedir que o ministro conversasse com Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O banqueiro queria evitar, segundo as mensagens, que investigadores adotassem medidas contra o Master.
“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farão algo em breve.”
Naquele momento, Vorcaro também afirmou que havia recebido informações sobre uma possível medida contra ele e o banco.
As conversas continuaram nos dias seguintes. Em 4 de novembro, Vorcaro perguntou a Moraes sobre a natureza de possíveis medidas investigativas. “Médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?”, questionou. “Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê pra bloquear?”, insistiu Vorcaro.
Na mesma data, o banqueiro demonstrou preocupação com os efeitos de uma eventual ação contra o Master. “Essa minha maior preocupação”, confidenciou.
Mais tarde, às 20h45, voltou a pedir a intervenção do ministro: “Pelo amor de Deus, veja se você consegue bloquear toda maldade. Como eu disse não temos nada, nem o Banco Central abriu sequer um processo administrativo, e eles me auditam todos os dias. Estou pronto pra ir em qualquer um explicar qualquer coisa, mas uma medida drástica agora literalmente quebra o banco de modo irreversível. Se puder me deixe uma mensagem após falar com ele”.
À medida que a prisão se aproximava, as mensagens passaram a tratar diretamente da possibilidade de uma viagem ao exterior. No sábado 15 de novembro, dois dias antes de ser detido, Vorcaro perguntou a Moraes:
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Na mesma conversa, o banqueiro fez outras perguntas sobre a investigação: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central) tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”.
No dia seguinte, 16 de novembro, Vorcaro voltou a questionar o ministro sobre a possibilidade de uma ação da PF: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Horas depois, às 16h57, perguntou sobre a possibilidade de Andrei Rodrigues adiar o cumprimento das medidas cautelares: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”.
Dois dias antes da primeira prisão, Vorcaro também questionou se seria possível “reverter” o avanço das investigações.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, lamentou o banqueiro.




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