O queridinho da hora é um modelo ostentado por Sam Altman, o criador da OpenAI, a empresa do ChatGPT
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O “quiet luxury”, ou luxo discreto, é a nova febre entre os bilionários do Vale do Silício. Sam Altman e Mark Zuckerberg ostentam relógios exclusivos de milhões de dólares, que substituem carros e mansões como símbolos de status. Essa “discrição” é uma fachada para a exibição de glória financeira, contrastando com o estilo “bling” de outras celebridades. Entenda essa nova e sutil forma de ostentação.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A expressão é uma contradição em termos, mas, vá lá, tem feito barulho entre os muito ricos e muito famosos, mais ricos que famosos: o quiet luxury, o luxo silencioso, que poderia ser traduzido como luxo discreto. No Vale do Silício, terra fértil das grandes empresas de tecnologia, palco da gênese da internet e agora também da inteligência artificial (IA), é tendência que colou — e não há objeto mais adequado à onda do que os relógios. Pode-se dizer que substituíram, de algum modo, os carrões e as mansões como símbolo de status. Quietos não são, por brilharem nos pulsos, mas, à diferença dos automóveis e dos casarões, exige de quem os vê algum conhecimento, algum atalho para entender do que se trata, peças únicas e indizíveis.
O queridinho da hora é um modelo ostentado por Sam Altman, o criador da OpenAI, a empresa do ChatGPT. Trata-se de um mostrador fabricado pela suíça Vanguart, empresa de apenas oito anos de existência. É uma joia futurista de titânio, com preço inicial de 180 000 dólares. No rotor e na coroa, Altman gravou a frase “Compute is destiny” (computação é destino) e um trecho de código usado em algoritmos de IA. É traquitana quase exclusiva, porque apenas sete unidades foram montadas — mas o boca a boca já fez deflagrar novas produções. Altman reveza o novíssimo bem com um Greubel Forsey um pouquinho mais oneroso, de 650 000 dólares. Como não gosta de ficar para trás das ondas, Mark Zuckerberg, o bambambã da Meta, companhia dona do Facebook e do Instagram, também anda para lá e para cá a bordo de um F.P. Journe avaliado em — atenção! — 1,3 milhão de dólares.
O gosto pelos ponteiros luxuosos e exclusivos da turma do Silício — embora os ponteiros pouco importem — é quase como um distintivo, como quem avisa ter criado algo que deu muito certo na selva da inovação. Finge-se discrição, insista-se, mas qual o quê. Há um certo prazer em exibir a glória financeira no braço, preferencialmente o esquerdo. São executivos que, em muitos casos, já tinham dinheiro para dar e vender e multiplicaram o cofrinho, ao vencer a loteria das ideias sensacionais. É diferente da postura como a dos rappers, dos jogadores de basquete, do futebol americano e do “nosso” futebol, que adoram fazer festa com pulseiras de modo a celebrar, digamos assim, a ascensão de quem veio muitas vezes da miséria. Neymar, por exemplo, revelou durante a Copa do Mundo a compra do Astronomia Dragon & Tiger, do joalheiro Jacob Arabo, por extravagantes 968 000 dólares. O jeitão de Neymar está colado ao movimento “bling”. Na cultura pop, é o estilo de vida atrelado a joias extravagantes. A palavra é uma onomatopeia que imita o som e o reflexo da luz batendo em diamantes e metais preciosos. Mais do que apenas moda, o uso do bling representa o “sonho americano”. Os esportistas e músicos talvez estejam sendo sinceros, embora possam cair no mau gosto.
A turma de Altman e Zuckerberg parece tangenciar a realidade, a meio caminho entre o mostrar e o esconder. “O luxo falsamente discreto é como gás carbônico, pode envenenar”, disse o designer norte-irlandês Jonathan Anderson, ferino que só ele. Até que venha outro modismo a pontuar a riqueza, dê-se corda aos relógios especialíssimos.
Publicado em VEJA de 4 de setembro de 2026, edição nº 3011




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