Decanos no Congresso perderam as eleições e agora passam por transição até 2027

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Os decanos do Senado Renan Calheiros (MDB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) não conseguiram se reeleger e deixarão o Congresso Nacional em 2027 após longas trajetórias no Legislativo.

Calheiros, 71, deixará o Senado depois de 32 anos de atuação. Ele estava no cargo desde 1995, quando tomou posse pela primeira vez, e chegou a cadeira de presidente do Congresso por três períodos: de 2005 até 2007, quando renunciou ao cargo após denúncias de corrupção; de 2013 a 2015 e de 2015 a 2017.

Com 22,24% dos votos, o emedebista perdeu a corrida eleitoral para o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB), que tiveram 28,87% e 28,20% respectivamente. Antes da apuração dos votos, Calheiros disse estar confiante. Ele não se pronunciou após a derrota.

Quando era universitário, na década de 1970, Calheiros já dava sinais de que seguiria a carreira política. Ele presidiu o diretório acadêmico da área de ciências humanas e sociais da Universidade Federal de Alagoas e se filiou à legenda do antigo MDB, no período em que Brasil ainda vivia sob a ditadura militar.

O atual líder do governo Lula (PT) no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues, ficou em terceiro lugar com 18,55% dos votos no Amapá. Ele perdeu a vaga para a dobradinha de Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD), que concentraram 29,98% e 24,22%, respectivamente.

Rayssa e Lucas são aliados do governador eleito do Amapá, Dr. Antônio Furlan (PSD). Eles formam o grupo político adversário do presidente da Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil), que se vê agora com poucos aliados e um grande desafio para a reeleição em 2030.

Randolfe, 53, é derrotado em meio ao crescimento da direita em todo país e o enfraquecimento do PT. Ele foi eleito pela primeira vez como deputado federal pelo PT e exerceu o cargo entre 1999 e 2007. Já em 2011, assumiu o cargo de senador.

Ele passou pelo PSOL, Rede e voltou ao PT, em 2023, após de divergências quanto à exploração de petróleo na foz do rio Amazonas com a então ministra de Meio Ambiente, Marina Silva. Randolfe teve embates memoráveis com políticos de direita, como em 2013 quando se envolveu em uma briga com o então deputado Jair Bolsonaro, que o acusou de ter lhe agredido.

"Em primeiro lugar, quero agradecer a confiança de cada amapaense através dos mais de 150 mil votos que tive em minha candidatura ao Senado da República. Além disso, quero agradecer sobretudo o carinho com que fui recebido em cada rua, em cada casa do Amapá", disse Randolfe, em vídeo publicado nas redes sociais.

Ciro Nogueira teve 24,68% dos votos contra os eleitos Marcelo Castro (MDB-PI) e Júlio César (PSD-PI), que tiveram 35,65% e 26,97%, respectivamente. Nas pesquisas, ele chegou a figurar mais intenção que os concorrentes.

Nogueira também assumiu um cargo no Senado pela primeira vez em 2011 e chegou ao cargo de ministro da Casa Civil (2021-2022) do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Antes disso, foi deputado estadual pelo Piauí entre 1995 até 2010.

"Só tenho a agradecer ao povo do Piauí pelas manifestações de carinho, de afeto. Cada abraço, cada aperto de mão, cada mensagem de incentivo, para ter mais força para lutar pelo potencial que só precisa que homens públicos tenham coragem de tomar a decisão de cuidar da população", disse nas redes.

O Senado terá, a partir de 2027, uma nova configuração que pode afetar pautas como o fim da escala 6x1 e a CPI do Banco Master, que devem enfraquecer após os eleitos assumirem os cargos, enquanto o debate sobtre o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) pode ganhar força.

Ao menos 49 congressistas, entre eleitos e titulares que continuarão no Senado, defendem o impeachment de ministros da corte ainda que com ressalvas, segundo levantamento da Folha. Para aprovar o afastamento de magistrados são necessários 54 votos, ou seja, dois terços das cadeiras.