E se todo mundo recebesse uma mesada do governo, sem contrapartidas? A proposta, ao mesmo tempo simples e radical, ganhou aliados improváveis: os bilionários.
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Introdução A Renda Básica Universal (RBU) ganha força globalmente, com Ilhas Marshall adotando-a e bilionários do Vale do Silício a defendendo como solução para o desemprego da IA. Entenda o conceito, sua história, exemplos como Alasca e Maricá, e os desafios para sua implementação em larga escala, inclusive no Brasil.
Principais Tópicos
Ilhas Marshall são o primeiro país a adotar a Renda Básica Universal. Entenda o conceito de pagamentos universais e incondicionais. Bilionários como Elon Musk apoiam a RBU como resposta ao avanço da IA. Veja exemplos e resultados de programas-piloto no mundo e em Maricá, Brasil. Descubra por que, na teoria, o Brasil já deveria ter uma renda básica.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Texto Bruno Carbinatto Design e colagens Caroline Aranha Edição Rafael Battaglia
solados no meio do Pacífico, a cerca de 5 mil quilômetros da Austrália, estão as cinco ilhas e os 29 atóis que formam as Ilhas Marshall, um minúsculo país da Micronésia. Suas praias paradisíacas são um importante cartão postal para tentar atrair turistas, já que o dinheiro dos visitantes impulsiona a frágil economia local.
Desde novembro de 2025, esse arquipélago remoto também está no centro das atenções do mundo por outro motivo: se tornou o primeiro país a adotar, oficialmente, um programa de Renda Básica Universal (RBU, ou UBI na sigla em inglês).
O governo começou a pagar, todo trimestre, US$ 200 para cada habitante (o dólar é a moeda local), em transferências bancárias ou criptomoedas. Qualquer residente permanente pode receber.
Hoje, o programa contempla quase todos os 42 mil marshalleses. A maior parte dos recursos vem de um acordo das Ilhas com os EUA: o Tio Sam paga o governo para ter acesso militar à região.
A iniciativa busca reduzir a pobreza, combater o custo de vida elevado (quase tudo precisa ser importado) e frear a emigração: desde 2011, a população encolheu 20%.
A experiência no Pacífico é a concretização de uma ideia antiga que é estranhamente simples e, ao mesmo tempo, bastante radical e meio maluca. O que aconteceria se o governo desse dinheiro para todos os cidadãos, independentemente de fatores como renda ou ocupação, em troca de nada, a fim de cobrir os custos mínimos para uma vida digna?
Defensores afirmam que a tal Renda Básica Universal é uma forma efetiva de combater a pobreza e a desigualdade. Opositores, por sua vez, classificam a ideia como utópica demais – de onde viria tanto dinheiro?
O debate cresceu nos últimos anos – e ganhou aliados improváveis: os bilionários do Vale do Silício. Temendo uma onda de desemprego causada pela adoção em massa da inteligência artificial, eles veem na medida uma forma de combater a crise e manter o capitalismo vivo.
“Uma Renda Básica Universal de ALTO VALOR, por meio de pagamentos emitidos pelo governo federal, é a melhor maneira de lidar com o desemprego causado pela IA”, escreveu em seu X (ex-Twitter) Elon Musk, CEO da Tesla e o primeiro trilionário da História. Sam Altman, da OpenAI, e Mark Zuckerberg, da Meta, também já se mostraram simpáticos à ideia.
Diante de tanta repercussão, será que estamos perto de alcançá-la?
O conceito “renda mínima” prega que, numa sociedade civilizada, ninguém deveria ser tão pobre a ponto de não ter nada. É uma ideia bastante antiga: em 1797, por exemplo, o filósofo e revolucionário britânico Thomas Paine, um dos “pais fundadores” dos EUA, propôs que o governo deveria pagar £15 para todo jovem que completasse 21 anos, para que iniciassem a vida adulta com recursos. Depois dos 50 anos, todos deveriam receber £10 anuais pagos com dinheiro público.
Talvez você tenha a impressão de que a ideia de o Estado distribuir dinheiro é, atualmente, associada à esquerda. Faz sentido: no Brasil, o grande nome em defesa do RBU é o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP). Mas, ao longo da História, a ideia de garantir algum tipo de renda mínima teve defensores de várias ideologias, inclusive muitos liberais.
O primeiro a popularizar um modelo detalhado dessa política foi o economista liberal Milton Friedman (1912-2006). Ele defendia o “Imposto de Renda Negativo”, que havia sido idealizado antes pela política britânica Juliet Rhys-Williams. Nesse esquema, todos informam sua renda ao Estado. Acima de um limiar específico, passam a pagar tributos numa lógica progressiva (quanto mais rico, mais paga). Quem fica abaixo do valor estabelecido, porém, recebe dinheiro do governo, seguindo a mesma lógica: quanto mais pobre, maior a quantia ganha.
Para Friedman, esse seria um programa menos burocrático e mais simples para substituir de uma vez só os vários e difusos programas de bem-estar social e assistencialismo dos EUA, que focam grupos específicos.
O Imposto de Renda Negativo seria um tipo de “renda mínima”, já que garantiria que ninguém na sociedade vivesse abaixo de um certo patamar financeiro. Mas o termo “renda básica” geralmente é utilizado para outro modelo, que consiste em transferências de dinheiro periódicas, de forma totalmente universal e incondicional.
Ser “universal” significa que todos podem receber, independentemente de fatores como renda mensal e idade. Ou seja, o programa incluiria até os milionários. É o oposto da modalidade “focalizada”, que estabelece critérios de elegibilidade e se destina a uma parcela específica da população.
Hoje, a maioria dos países do mundo tem algum tipo de iniciativa de assistência social, mas geralmente só para alguns grupos, como pessoas pobres, desempregadas ou que não podem trabalhar por questões de saúde (permanentes ou temporárias). É o caso do Bolsa Família, um dos principais programas de transferência de renda do mundo: só podem recebê-lo famílias cuja renda mensal por pessoa seja de até R$ 218.



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