Copom reduziu a taxa Selic em mais 0,25 ponto percentual nesta quarta (16), diminuindo o retorno das aplicações de renda fixa; entenda

Copom reduziu a taxa Selic em mais 0,25 ponto percentual nesta quarta (16), diminuindo o retorno das aplicações pós-fixadas; confira como os rendimentos ficam agora

19:31 - atualizado às 19:07

Imagem: Montagem Seu Dinheiro/ Nivia Borba

De 0,25 ponto percentual em 0,25 ponto percentual, os juros básicos do país estão diminuindo e, com isso, a rentabilidade dos investimentos de renda fixa “queridinhos” dos brasileiros, como os CDBs, LCIs e LCAs e o Tesouro Selic.

Nesta quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a taxa Selic para 13,75% ao ano. Considerando os ajustes desde janeiro, os juros diminuíram 1,25 ponto percentual no acumulado do ano.

Para investimentos pós-fixados, que acompanham a taxa básica, isso significa retornos menores mês após mês.

Em janeiro, por exemplo, o retorno bruto do Tesouro Selic era de 1,21%. Em agosto, esse valor já tinha caído para 1,09%.

E se as expectativas dos agentes financeiros se confirmarem, vai continuar diminuindo. Isso porque a projeção de parte do mercado é que o Copom continue cortando juros até dezembro, de modo que a taxa Selic termine o ano em 13,25%.

Mas isso não é motivo para uma fuga da renda fixa. A rentabilidade dos títulos pós-fixados continua atrativa. Estamos falando de um retorno superior a 13% no acumulado de 12 meses.

Mesmo descontando a inflação, que era de 4,2% em 12 meses até agosto, o retorno real é de 9,5% com a Selic em 13,75% ao ano.

Isso vale principalmente para as aplicações usadas como reserva de emergência, como o Tesouro Selic, os títulos bancários CDBs, LCIs e LCAs, e os fundos que investem nesses papéis.

Na prática, mesmo os investimentos mais conservadores mantêm retornos acima da inflação e continuam sendo um bom negócio neste momento.

A mudança na taxa Selic não altera a regra de remuneração da Poupança, que continua pagando seu tradicional 0,50% ao mês mais Taxa Referencial (TR).

Com os juros básicos em 13,75% ao ano (e supondo um CDI um pouco inferior, de 13,65%, como costuma acontecer), as rentabilidades mensais e anuais líquidas das principais aplicações financeiras conservadoras ficam assim:

Embora uma parte do mercado espere uma taxa Selic menor ao final do ano, não há clareza da parte do Copom sobre esses cortes.

No comunicado da decisão desta quarta, o comitê do Banco Central deixou seus próximos passos em aberto, atrelando as decisões futuras aos dados que serão divulgados nos próximos meses.

Isso significa que, para prazos maiores de investimento, a rentabilidade das aplicações pós-fixadas de renda fixa pode ser menor que a projetada na tabela acima.

Assim, para dar uma ideia melhor de como ficará o retorno dos investimentos conservadores daqui para frente, vamos simular a aplicação para os prazos de um e dois anos, utilizando as estimativas de juros do mercado.

Nesta quarta-feira (16), as projeções para o CDI (DI futuro) mais próximos desses prazos são: outubro de 2027 (13,605%) e outubro de 2028 (13,795%), respectivamente.

Repare que as previsões caminham em direções opostas. O juro para daqui um ano está menor que o atual, mas para o prazo de dois anos está maior. Isso indica que não há consenso no mercado sobre as condições econômicas em períodos maiores.

A principal razão para essa incerteza é a política fiscal que será adotada pelo novo governo, que chegará ao Planalto em janeiro de 2027. (Saiba mais aqui)

Por isso, é importante ter em mente que essas projeções podem mudar a partir de amanhã, a depender dos indicadores acompanhados pelo Banco Central e dos rumos eleitorais dos próximos dias.