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“Todo novo hotel de luxo que abre em São Paulo pode despertar a curiosidade dos nossos hóspedes”, diz Gustavo Filgueiras, sócio e CEO do Emiliano. “Mas depois eles voltam.”
Inaugurado em 2001, o primeiro hotel de sua família foi uma espécie de divisor de águas. Concorrente direto, o primeiro hotel do Fasano, a poucas quadras, entrou em operação dois anos depois. O Unique é de 2002. Palácio Tangará, JW Marriott, Rosewood, W São Paulo e a unidade do Fasano no Itaim, para citar as principais novidades do segmento na cidade nos últimos tempos, surgiram todos de 2017 para cá.
“Criamos uma marca muito forte e que defendeu praticamente sozinha, por muito tempo, a hotelaria de alto padrão na região”, afirma Filgueiras. “Isso faz a diferença, assim como o nosso ‘know-how’ para lidar com a clientela que privilegia a discrição”.
O Emiliano São Paulo completou 25 anos em junho com novidades. A mais comentada é o Cena, como o restaurante, que nunca teve nome próprio, é chamado desde maio. Foi quando o espaço reabriu depois de uma reforma comandada pelo arquiteto Arthur Casas, que projetou o hotel, incluindo a antiga versão do restaurante. Nele, o jardim vertical que encobre uma das extremidades roubava a cena. Continua roubando, mas agora em conjunto com um painel geométrico que toma conta do teto e de duas paredes. “O restaurante sempre funcionou muito bem, mas estava na hora de um ‘reset’”, diz o CEO.
Para comandar o Cena, ele contratou Vinícius Pires, que foi braço-direito do chef Luiz Filipe Souza, no Evvai, e campeão, neste ano, da etapa nacional do concurso Bocuse d’Or. O novo chef, que entrou no lugar de Viviane Gonçalves, é o oitavo comandante do restaurante do Emiliano, posto que já foi de Pier Paolo Picchi e José Barattino. Pires reformulou o cardápio de cima a baixo. A seção de entradas agora lista opções como flan de marisco com ervilhas e erva-doce (R$ 78) e coração de pato marinado no molho ponzu, prato que é servido com purê de castanha-de-caju e caldo da ave acrescido de carambola (R$ 75).
Na lista de principais saltam aos olhos o flat iron com batata assada, estragão e alho negro (R$ 210) e o agnolotti com recheio de alcachofra, incrementado com pétalas fritas da planta e molho de palmito e queijo tulha (R$ 165). O cardápio do almoço, mais pé no chão, lista opções como rigatoni alla vodka com tartare de camarão (R$ 100) e peixe do dia com rodelas de palmito pupunha, farofinha e molho de moqueca (R$ 120).
“Pires é um chef superatual, e o cardápio que ele criou atende os clientes ‘mais gastronômicos’”, diz Filgueiras.
Ele tinha planos de transformar o restaurante no Cena já no final de 2024. “Mas perdemos o timing para dar início às obras.” A inspiração veio do Emile, o restaurante da unidade carioca do hotel, na orla de Copacabana. Com fachada quase toda coberta por cobogós que abrem e fecham, o Emiliano Rio também leva a assinatura de Casas. No restaurante de lá, o arquiteto incluiu um jardim vertical de maior impacto que o de São Paulo. O chefe do Emile, desde março, é o argentino Bernabé Simón Padrós, que foi da equipe do Central, em Lima, no Peru, eleito o melhor restaurante do mundo em 2023, e do Kjolle, dos mesmos donos, no mesmo imóvel.
O Emiliano Rio foi projetado com a meta de entrar em operação antes dos Jogos Olímpicos, em 2016, mas só alguns quartos ficaram prontos a tempo. A unidade foi finalizada, 100%, em julho de 2017, seis meses depois da morte do fundador do Emiliano, Carlos Alberto Figueiras, o pai de Gustavo, devido a um acidente aéreo nos arredores do aeroporto de Paraty, no litoral sul do Rio, onde a família tem uma casa.
Como se não bastasse o baque provocado pela tragédia, o hotel carioca penou, nos primeiros anos, com uma série de fatos alheios a ele — da guerra entre traficantes que eclodiu na Rocinha às vésperas do Rock in Rio de 2017 à intervenção federal na segurança do estado, em fevereiro de 2018.
Mas isso tudo é passado, ao menos para o Emiliano. “A cidade está muito em alta e o turismo de negócios, que decaiu na última década, está sendo retomado”, diz Filgueiras, justificando a boa performance da filial.
O papel dos estrangeiros é expressivo. No ano passado, o Brasil recebeu quase 9,3 milhões de turistas, um número recorde. E o estado do Rio de Janeiro, quase 2,2 milhões, outra cifra inédita. Confiante no futuro da unidade carioca, a família Filgueiras firmou um contrato de locação de 20 anos com o novo dono do prédio, o TRXF11. Em junho, o fundo imobiliário adquiriu o edifício por R$ 260 milhões. A família era dona de 10% do ativo e os 90% restantes pertenciam ao BTG Pactual.
Em 2021, Filgueiras tirou do papel uma segunda bandeira, mais enxuta e econômica. É a V3rso. Nela, o check-in é feito, do começo ao fim, por meio de um aplicativo. O processo culmina com um cadastro para reconhecimento facial. Graças a isso, os hóspedes podem cruzar a recepção, ao chegar, sem interagir com ninguém. A porta dos quartos é aberta com o mesmo aplicativo.
O primeiro hotel da rede, nos Jardins, em São Paulo, foi inaugurado no ano passado. Lá, as diárias começam em R$ 1.224 (no Emiliano São Paulo elas partem de R$ 2.990 e, na filial carioca, de R$ 2.890). A novidade dispõe de academia, piscina na cobertura e duas áreas com autosserviço, a lavanderia e o mercado, que vende bebidas, refeições congeladas e itens de higiene. Três outras unidades do V3rso estão em obras, uma delas nos domínios do Parque Global, na zona sul de São Paulo, outra em Goiânia e a terceira, em Porto Alegre.
Um dos denominadores comuns dos hotéis dessa bandeira é o fato de que parte de suas edificações é destinada a unidades residenciais — cada projeto envolve uma incorporadora diferente. É a mesma fórmula que vai viabilizar duas novas unidades do Emiliano, uma delas no Itaim e a outra no município de Itajaí, em Santa Catarina.
As duas já estão em obras e não devem ficar prontas antes de 2030. A do Itaim é fruto de uma parceria com a incorporadora Lavvi. Em um terreno de 4.000 m², o projeto prevê duas torres, uma para o hotel, com 54 quartos, e a outra para os residenciais, com cerca de 250 m². Para cada sete unidades, está prevista a contratação de um concierge.
O de Itajaí está sendo erguido na Praia Brava, a poucos quilômetros de Balneário Camboriú. Com 47 suítes, será parte de um complexo de sete torres desenvolvido pela incorporadora Müze. O projeto ficou a cargo do escritório de arquitetura inglês Foster and Partners, o mesmo do estádio de Wembley, na Inglaterra. As 83 unidades residenciais terão de 400 a 900 m², sem contar as penthouses, que chegarão a 1.400 m². O VGV (valor geral de vendas) estimado para o complexo é de R$ 2,5 bilhões.
Filgueiras já se mobilizou para tentar montar um Emiliano em Foz do Iguaçu, no Paraná, e outro perto de Alter do Chão, no Pará, dois projetos que não avançaram e dos quais desistiu. Ele só não desistiu de tirar do papel o Emiliano de Paraty, que está em fase de desenvolvimento há mais de uma década — há questionamentos relacionados a licenças ambientais. Também foi idealizado pelo escritório Foster and Partners.
O projeto prevê 30 quartos de 180 a 280 m², além de 33 vilas, tudo espalhado por uma área de 730 mil m².
A última novidade do Emiliano ainda está cercada de mistério. “Abrimos um braço internacional para viabilizar a abertura de uma unidade na Europa”, diz Filgueiras, sem entrar em detalhes. É a cereja do bolo de um ano comemorativo para o grupo.


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